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:: Outubro 31, 2003 ::
Os Normais - O Filme (CINEMA)
O gênero comédia nunca foi um dos meus prediletos, muito pelo contrário, filmes cômicos conseguem arrancar, no máximo, duas risadas entre muitos sorrisos amarelos. Entretanto, simpatizei bastante com este episódio maior de OS NORMAIS - O FILME (original hein?)
O estilo de humor adotado no seriado e, agora, no filme, no qual a graça é fazer humor de situações rotineiras e corriqueiras a todos nós, adicionando a isto bastante cinismo e sarcasmo, tornando inevitável às gargalhadas.
O roteiro de Alexandre Machado e Fernanda Young, utiliza o dia do primeiro encontro de Rui e Vani para ser retratado nas telas, mas com um pequeno detalhe: neste dia tanto Rui quanto Vani estão se casando com outras pessoas na mesma igreja. Bom está criada a situação cômica, o casamento e, daí em diante, temos as mais diversas situações inusitadas, loucas e desvairadas já vistas em telas brasileiras (há desde discussões sobre o arroz a ser jogado sobre os noivos ao tamanho da cavidade vaginal das noivas). Tudo embalado num roteiro politicamente incorreto (o que dizer do traumatismo de uma das convidadas), porém, adotando uma linha romântica inexplorada no seriado.
Luiz Fernando Guimarães e Fernanda Torres deixaram de interpretar Rui e Vani, eles são a própria personificação dos personagens, ambos têm o timing da comédia, os diálogos soam engraçados na boca deles. Outra agradável surpresa é Marisa Orth, que em momento algum lembra Magda (sua inesquecível personagem do Saí de Baixo). Já Evandro Mesquita me parece um ator cheio de tiques e careta.
Entretanto, OS NORMAIS - O FILME comete um erro fatal em sua execução (talvez até mesmo por utilizar o mesmo diretor do seriado, Jose Alvarenga Jr.): ser extremamente televisivo num veículo (no caso, cinema) que dá tantas oportunidades de linguagem, que é um desperdício optar pelo óbvio. Tenho a impressão que faltou um pouco de coragem ou audácia no momento de adaptar o seriado para o cinema (poderia haver mais personagens e mais cenas externas), não arriscaram simplesmente para arrecadar mais dinheiro (os produtores e a Globo Filmes, obviamente).
OS NORMAIS - O FILME: 7,0
(Brasil,2003)
Diretor(es): José Alvarenga Jr.
Roteirista(s): Alexandre Machado, Fernanda Young
Elenco: Fernanda Torres, Luiz Fernando Guimarães, Evandro Mesquita, Marisa Orth, Emilio Pitta, Tutuca, Lupe Gigliotti, Fabiana Guglielmetti.88 min. Lumiere
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 12:26 AM [+] ::
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O Amor Custa Caro (CINEMA)
Não entendo as pessoas que estão dizendo por aí que os irmãos Coen se venderam para o esquemão Hollywoodiano em função do filme O AMOR CUSTA CARO. Na minha percepção da cinematografia dos Coen (Joel e Ethan, roteiristas e diretores), como, por exemplo, os recentes FARGO, O GRANDE LEBOWSKI e E AÍ, MEU IRMÃO, CADE VOCE?, eles conseguiram imprimir em todos eles um estilo de filmagem próprio sendo facilmente reconhecível para o espectador mais atento.
Vale destacar duas características bastante peculiares em seus filmes: a presença de personagens bizarros e estranhos nos papéis coadjuvantes e o retrato de uma comunidade através da geografia típica ou classe social. Em O AMOR CUSTA CARO estas características estão presentes (há, como exemplo, a amiga botox de Marilyn e assassino com problemas de asma todos retratados na ensolarada Califórnia, mais precisamente, na alta sociedade). Então os irmãos Coen simplesmente não se venderam somente se adaptaram nesta brincadeira sobre cupidos e advogados regada com bastante cinismo e humor.
E neste filme com humor sofisticado, a dupla de protagonista está em ótima forma e com uma ótima química. Catherine Zeta-Jones (de CHICAGO) arrasadora como uma caçadora de marido rico e nunca esteve tão bonita em cena. Já George Clooney (de SOLARIS) parece repetir (acertadamente) o personagem canastrão também presente em E AÍ, MEU IRMÃO, CADE VOCE. Há ainda pequenas participações de Geoffrey Rush (pouco aproveitado) e Billy Bob Thornton (novamente compondo um tipo único e hilário).
Mas o charme da produção encontra-se no roteiro (readaptado pelos irmãos Coen, não é originalmente criação deles). Homenageando as comédias românticas da década de 30/40 (chamadas de scrrenball) onde o romance esta cercado de variadas reviravoltas, o que aqui, confere uma agilidade a narrativa que não cansa durante a exibição (com exceção, do momento redenção de Miles). Ou seja, misturando comédia romântica com humor cínico e sarcástico numa embalagem sofisticada e visualmente rica, os irmãos Coen tentam abranger um público maior, produzindo um filme divertido para todos e saboroso para os fãs.
P.S.: O AMOR CUSTA CARO já está concorrendo com uma cena hilária a melhor cena cômica do ano (prefiro não citar, pois quem assisti-la vai perceber qual é), somente vou contar que ela (a cena) é protagonizada pelo assassino asmático da produção.
O AMOR CUSTA CARO: 7,0
(Intolerable Cruelty, EUA, 2003)
Diretor(es): Joel Coen, Ethan Coen
Roteirista(s): Robert Ramsey, Matthew Stone, John Romano
Elenco: George Clooney, Catherine Zeta-Jones, Geoffrey Rush, Cedric the Entertainer, Edward Herrmann, Paul Adelstein, Richard Jenkins, Billy Bob Thornton. 100 min. UIP
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 12:23 AM [+] ::
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:: Outubro 26, 2003 ::
Uma Vida em Sete Dias (DVD & VIDEO)
Dois pontos ficam bem claros depois de assistir este filme: (1) Angelina Jolie é linda de qualquer forma, seja loira, morena, magra ou atlética; (2) a mesma Angelina Jolie não tem condições artísticas de carregar sozinha um filme (observação: o tão aclamado Oscar recebido por Jolie foi de atriz coadjuvante!), ou é melhor trocar de agente pois anda escolhendo roteiros que não favorecem seu talento, vide que após o prêmio citado acima, Jolie participou de PECAQDO ORIGINAL, suspense melodramático, os dois TOM RAIDER, o segundo já fracassando nas bilheterias e, este UMA VIDA EM SETE DIAS, drama romântico onde nossa loiríssima Jolie ganha uma segunda chance de aproveitar sua vida fútil.
Novamente em filmes desse tipo, onde personagens sem escrúpulos e caráter humano ganham uma segunda chance, vemos que seus problemas e defeitos se resolvem de uma hora para outra para todos viverem felizes para sempre até o final da projeção. No caso de UMA VIDA EM SETE DIAS, nossa heroína repórter (Lanie), que possuiu um ego maior que seu talento, recebe a noticia de um profeta de rua que tem sete dias somente de vida, a principio incrédula vê outras profecias do individuo darem certo, a partir deste momento começa a repensar sua vida e crenças para aproveitar o tempo que lhe resta.
Tudo seria muito bonito não fosse que nossa repórter possui problemas em todos setores de sua vida: com sua irmã e pai, no trabalho com seu cinegrafista e na sua vida amorosa com um jogador famoso. Porém, para os espectadores, os únicos problemas que surgem são do roteiro, que em momento algum justifica as brigas e discussões de Lanie, tudo seria em função de seu ego e prepotência. O roteirista aproveita que não justificou a vida fútil de sua personagem e na resolução dos mesmos basta Jolie chorar e sorrir com aqueles olhos azuis que tudo está resolvido.
No que se refere ao elenco, Jolie até esta bem amparada (melhor que nos filmes citados acima no texto), temos como galã o simpático Edward Burns, a quem prefiro apenas dirigindo filmes. E um desperdício de talento, os personagens de Toni Shalhoub e Stockard Channing, que juntos não devem passar de cinco minutos na projeção, em papéis que poderiam ser mais bem explorados durante o filme.
UMA VIDA EM SETE DIAS: 5,0
(Life or Something Like it, EUA, 2002)
Direção: Stephen Herek
Elenco: Angelina Jolie, Tony Shalhoub, Edward Burns, Stockard Channing. 103 min. FOX
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 10:26 PM [+] ::
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O Último Beijo (DVD & VIDEO)
Divertido e emocionante retrato dos homens contemporâneos, tendo como ponto de partida suas relações amorosas e amizades.
Lendo a sinopse parece ser aquelas comédias idiotas americanas sobre um grupo de rapazes em busca de sexo porém Muccino utiliza estes jovens (já não tão jovens pois têm mais de 25 anos, aparentemente) para fazer um paralelo sobre o que os homens querem hoje em dia, desde relacionamentos, amor, sexo até família.
A lamentar o caminho percorrido pelo roteiro que explora somente um personagem (feito pelo ator Stefano Accorsi, de AMOR QUASE PERFEITO, que é casado, vai tornar-se pai e meio que enlouquece com esta situação) fazendo com que este se questione até onde vai conseguir assumir uma família e esquecer o lado bom de ser solteiro, principalmente sabendo que seus amigos também estão solteiros e vão viajar para aproveitar a vida (são estes amigos que o roteiro pouco aproveita para engrandecer o retrato que o filme faz).
Entretanto, o filme nos surpreende ao mostrar, em paralelo à juventude, uma mulher madura em crise no seu casamento (está é sogra do personagem principal), que questiona o pouco amor recebido pelo marido nestes últimos anos (uma situação rica interpretada magnificamente e devidamente explorada pelo filme em sua totalidade).
Em tempos onde temas femininos são abordados em todos os seus aspectos seja em cinema (AS HORAS e PÃO E TULIPAS) ou na televisão (no excelente SEX IN THE CITY), os temas do universo masculino, incluindo medo e traição, ficaram um pouco de lado. Méritos de O ÚLTIMO BEIJO que conseguiu faze-lo de maneira humana, verdadeira e divertida.
O ÚLTIMO BEIJO : 8,0
(L´Ultimo bacio, EUA, 2001)
Diretor(es): Gabriele Muccino
Roteirista(s): Gabriele Muccino
Elenco: Stefano Accorsi, Giovanna Mezzogiorno, Stefania Sandrelli, Marco Cocci, Pierfrancesco Favino, Sabrina Impacciatore, Regina Orioli, Giorgio Pasotti. 115 mim. BUENA VISTA
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 10:14 PM [+] ::
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Confissões de uma Mente Perigosa (DVD & VIDEO)
Quem poderia imaginar que um galã de seriado de televisão conseguisse em menos de uma década pular da TV para o cinema, tornando-se um ator, produtor e, agora, diretor com reconhecimento de público e crítica? Pois este é um resumo do recente sucesso da carreira de George Clooney, que sobreviveu ao BATMAN & ROBIN e O PACIFICADOR, para se consagrar com o público em ONZE HOMENS E UM SEGREDO e com a crítica em E AÍ, MEU IRMÃO, CADE VOCE? .
Atualmente, como amigo do diretor do momento, Steven Soderbergh, criou uma produtora e já se arrisca em produções alternativas (SOLARIS) ou projetos menores (TUDO POR UM SEGREDO). A nova empreitada de Clooney é contar a história de Chuck Barris (figura polêmica americana), em CONFISSÕES DE UMA MENTE PERIGOSA, e para isso ele chamou todos seus amigos (Julia Roberts, Matt Damon e Brad Pitt) para fazerem parte do projeto.
Pode-se dizer que Clooney arriscou-se nesta produção pois a mesma além, do elenco famoso, também possui roteiro de Charlie Kaufman (de QUERO SER JOHN MALKOVICH e ADAPTAÇÃO) o que significa histórias inusitadas e personagens anormais. Por tentar a sorte numa produção mais audaciosa, Clooney não se destaca porém conta à história extremamente bem, apenas dirige (e atua) discretamente. Em comparação, faço menção ao trabalho estreante de Denzel Washington como diretor, o emocionante VOLTANDO A VIVER, no qual Denzel optou por um roteiro mais simples e se saiu muito bem.
Mas Clooney possui todos os méritos na direção de atores, excluindo a si mesmo, encontrou Sam Rockwell (de O ASSALTO), que personifica com perfeição toda loucura, malandragem e oportunismo de Barris (vale lembrar que a biografia foi escrita pelo próprio Barris e, portanto, esta história de ele ser agente da CIA não é um fato comprovado, pode ser mais um veículo de autopromoção deste estranho apresentador americano).
Além de Rockwell, o diretor contou coma gracinha Drew Barrymore como interesse romântico de Barris juntamente com o sorriso de Hollywood, Julia Roberts, numa personagem com segundas intenções. E não posso esquecer o ressuscitado Rutger Hauer, como um agente
No final das contas, CONFISSÕES... consegue retratar a vida de Barris com originalidade, pois este nunca é tratado como um herói (graças ao texto de Kaufman e a interpretação de Rockwell) e utiliza com bastante sarcasmo os bastidores televisivos da década de 60 e 70 como pano de fundo do filme.
P.S.: imagino quantas pessoas quebrarão a cara ao imaginar este elenco famoso num filme convencional e depois assistí-lo, pensando que os atores estão em final de carreira por terem participado deste inusitado projeto ou algo diferente.
CONFISSÕES DE UMA MENTE PERIGOSA: 8,0
(Confessions of a Dangerous Mind, EUA, 2003)
Diretor(es): George Clooney
Roteirista(s): Chuck Barris, Charlie Kaufman
Elenco: Sam Rockwell, George Clooney, Drew Barrymore, Julia Roberts, Rutger Hauer, Maggie Gyllenhaal, David Hirsch, Jerry Weintraub. 113 min. IMAGEM FILMES
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 9:59 PM [+] ::
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:: Outubro 19, 2003 ::
Sete Minutos (DVD & VHS)
Parece promissora esta idéia de filmar peças de teatros em alta definição para fornece-la na forma de DVD. Pelo menos assim, as peças de teatro (tão fadadas a um público restrito financeiramente ou pertencente há um numero pequeno de cidades) conseguiram alcançar e capitalizar um publico bem mais abrangente.
E como teste, a peça escrita por Antonio Fagundes abre com chave de ouro esta iniciativa. Escrita como desabafo (conta às peripécias de um ator veterano em cima do palco atrapalhado por um a platéia desrespeitosa) mas também como uma declaração de amor ao teatro e ao oficio de interpretar. Tudo isto através de situações cômicas e engraçadissimas (principalmente no inicio) muito bem interpretadas por todo elenco (todos possuem um ótimo timing de comédia) e dirigida pela ótima diretora Bibi Ferreira.
SETE MINUTOS apesar de teatral não cansa em momento algum, mostrando que teatro em dvd pode render projetos interessantes. Entretanto, o melhor deste se concentra no monologo final, interpretado com maestria por Antonio Fagundes, no qual seu personagem reflete a sociedade atual. Sociedade esta, que vive de momentos (que em sua teoria duram sete minutos), assim, ninguém presta atenção ou se concentra por mais de sete minutos seja olhando televisão, conversando com outra pessoa, trabalhando ou, ate mesmo, levando sua própria vida. Estamos nos tornando ignorantes ou, o que é pior, idiotizados.
Parabéns, Fagundes!!!!
SETE MINUTOS: 8,0
(BRA, 2003)
Diretor(es): Bibi Ferreira
Roteirista(s): Antonio Fagundes
Elenco: Antonio Fagundes, Suzy Rego, Tácito Rocha, Neusa Maria Faro, Denis Victorazo. 80min EUROPA FILMES
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 12:40 AM [+] ::
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Guerreiros do Inferno (DVD & VHS)
Curiosa produção inglesa que bem poderia ter saído de um episódio daquele famoso seriado Além da Imaginação. Isso porque se trata de um conto sobre lugares amaldiçoados (como, por exemplo, os fracos A CASA DA COLINA e A CASA ALDIÇOADA), Entretanto, GUERREIROS DO INFERNO possue um diferencial, no mínimo inusitado, o lugar amaldiçoado trata-se de uma trincheira de guerra em plena Primeira Guerra Mundial.
A maior qualidade da película é o clima criado ao redor da trincheira: isolamento, muita chuva, lama, neblina e a escuridão acabam por ocasionar um conflito entre os personagens (propositalmente planejado pelo além!!!!!). Infelizmente, GUERREIROS não se propõe a muito mais do que isso (até sua resolução final), portanto rapidamente esquecível.
A surpresa maior foi observar a presença de Jamie Bell, do ótimo BILLY ELLIOT, em seu primeiro papel após o sucesso de Billy, num papel completamente diferente, aqui ele faz um soldado de apenas 16 anos (na verdade ele mentiu ter 18 anos para poder ir a guerra) que se vê envolvido num verdadeiro inferno (e o problema maior não é os soldados que o acompanham).
GUERREIROS DO INFERNO: 6,0
(DeathWatch, ALE/ING, 2002)
Direção: Michael J. Basset
Com: Jamie Bell, Ruaidhri Conroy, Laurence Fox, Torben Liebrecht, Dean Lennox Kelly. 95 min. PLAYARTE
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 12:38 AM [+] ::
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Baran (DVD & VHS)
O cinema iraniano continua demonstrando como uma história simples e humana pode render um filme bonito, engraçado (sim, este possui ate humor) e apaixonado. Por incrível que pareça BARAN conta uma história (de amor) de Lateef, empregado de uma construção.
Não pretendo revelar mais nada da trama pois no filme certas revelações só ocorrem pela metade, então, provavelmente quem não souber vai ter alguma surpresa.
BARAN é dirigido por Majid Majidi, diretor do também emocionante FILHOS DO PARAISO, aqui a temática adotada por Majidi é explorar junto à história de amor a denuncia dos afegãos refugiados que trabalham no Irã ilegalmente (fato que sinceramente eu desconhecia).
Entretanto, costumo comentar que o mais legal destas produções é o retrato cultural e social de uma sociedade com costumes tão diferentes dos nossos (aqui pude observar, novamente, a valorização da palavra, no caso, tudo é levado como questão de honra.)
BARAN: 7,0
(Baran, Irã, 2001)
Diretor(es): Majid Majidi
Roteirista(s): Majid Majidi
Elenco: Hossein Abedini, Zahra Bahrami, Mohammad Amir Naji, Hossein Mahjoub, Abbas Rahimi, Gholam Ali Bakhshi.94 min. LK-TEL FILMES
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 12:36 AM [+] ::
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:: Outubro 17, 2003 ::
Homens Armados (DVD & VHS)
No mínimo inusitada uma produção americana retratar tão fielmente a América Latina sem apelar para caricatura ou banalização da situação. Isto pode ser conferido no drama HOMENS ARMADOS, dirigido e roteirizado por John Sayles (de LIMBO e LONE STAR), que utiliza um médico à procura de seus alunos pelo interir de um fictício país latino (o seu nome nunca é mencionado o que garante a Sayles a opção de utilizar as mais variadas características dos países latinos, num cenário somente). Este filme acabou de ser lançado em DVD pela Columbia.
Para observar como o diretor John Sayles é respeitado e autoral, junto à produção, o filme é falado em espanhol (isto é, no mercado americano o filme foi exibido com legendas) e possui um elenco completamente latino e em sua maioria desconhecido do grande público. Com destaque para o protagonista Federico Luppi, mostrando com talento toda decepção e melancolia com as descobertas da real situação do país no qual vive, principalmente no interior, utilizando o contraste e as brigas entre o exército e a milícia armada.
Assim, Sayles constrói mais um drama social em sua filmografia, diga-se de passagem filmografia formada por filmes que retratam os seres humanos nas mais diversas situações e ambientes (como exemplo, Sayles já retratou o Alasca, a Irlanda e o interior americano em seus filmes anteriores), porém este é um cineasta acessível a poucos, o ritmo de seus filmes é contemplativo, observador e, principalmente, intimista. Para Sayles o mais importante em seus filmes é o ser humano verdadeiro.
HOMENS ARMADOS: 7,0
(Men with Guns, EUA, 1997)
Direção: John Sayles
Roteiro: John Sayles
Com: Federico Jose Luppi, Damian Alcazar, Tânia Cruz, Damian Delgado, Mandy Patinkin. 128 min. COLUMBIA
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 6:50 PM [+] ::
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Domingo Sangrento (DVD & VHS)
Domingo Sangrento está se tornando um caso de injustiça nacional (pois pelo menos internacionalmente, ele conquistou o Festival de Berlim), passou em branco nos cinemas e está esquecido nas locadoras, este que é um dos melhores filmes do ano.
Provavelmente isso esteja ocorrendo por não possuir nenhum ator de renome e pela sua carga política porém são estas duas características que fazem de DOMINGO SANGRENTO um projeto extremamente especial.
O fato de não possuir atores conhecidos nos faz acreditar que realmente o filme é um documentário. Em momento algum passa na cabeça questionar a interpretação dos atores, pois construído como um documentário, todos parecem ser exatamente aquelas pessoas reais (tudo soa real).
Outra característica que distingue DOMINGO SANGRETO é o efeito utilizado em sua edição, a imagem apenas some da tela e aparece em outro momento, deixando a impressão que como observadores, viramos a cabeça para outra direção naquele instante.
Quanto ao evento mostrado ser um fato histórico e político de extrema importância, somente faz com que DOMINGO SANGRENTO se torne um filme imperdível, mostrando que a nossa sociedade continua errando nos quesitos mais simples de convivência, que é a comunicação e, nosso defeito maior, a intolerância com a diferença. Isto fez com que surgisse o IRA, problema para os ingleses até poucos anos atrás, fundamentalmente, por questões de liberdade religiosa.
DOMINGO SANGRENTO: 8,0
(Bloody Sunday, IRL/ING, 2002)
Direção: Paul Greengrass
Com: James Nesbitt, Tim Pigott-Smith, Nicholas Farrell, Gerard McSorley. 100min Paramount.
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 6:49 PM [+] ::
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:: Outubro 14, 2003 ::
O Peso da Água (DVD & VHS)
Como trabalho no mercado de vídeo há alguns anos, percebi que quando um filme com vários atores conhecidos, principalmente sendo uma trama de suspense, um gênero sempre rentável no Brasil, chega diretamente às locadoras tem de haver algum problema, claro que há exceções, como o excelente policial NARC, mas isto não ocorre em O PESO DA ÁGUA, da diretora Kathryn Bigelow.
O filme tem uma trama extremamente pretensiosa levando em conta que quer contar duas tramas paralelas em épocas completamente diferentes, sendo uma delas um caso de assassinato e a outra uma análise sobre relacionamentos. E aí se encontra o maior problema de O PESO DA ÁGUA, suas histórias possuem ritmos diferentes e criam expectativas adversas quanto ao decorrer da película. A trama atual que deveria ser investigativa, pois a viagem dos protagonistas foi para este fim, tenta fazer uma análise sobre dois casais de amigos, com direito a traição e discussão de relacionamentos, porém o clima adotado é de silêncio absoluto dificilmente sabe-se o que os personagens estão pensando (com exceção de Elisabeth Hurley, que com cada olhar dá impressão que vai devorar Sean Penn) todos personagens desta subtrama são introspectivos e não levam a lugar algum. Já a trama de época, defendida pela duvidosa Sarah Polley, é infelizmente previsível mas mesmo assim consegue prender nossa atenção durante a projeção, simplesmente por ser muito mais interessante do que o blá blá blá da outra atualidade.
Por mais conhecido que o elenco seja, inclusive conta com o talentosíssimo Sean Penn (que ultimamente tem aparecido mais como diretor, inclusive, do ótimo A PROMESSA) todos parecem estar deslocados (com exceção do papel inútil de Hurley, que sempre fica bem como femme fatale), tenho uma quedinha pela belíssima Catherine McCormack, porém aqui ela não tem muito que fazer com sua personagem ultrapassiva.
O que a produção do filme deveria ter observado é que adaptações literárias para o cinema devem ter como principal cuidado a transmissão do que o autor desejava transmitir, senão acaba ocasionando um emaranhado de personagens-situações-sentimentos que não terminam num tremendo vazio.
O PESO DA ÁGUA (The Weight of Water, EUA, 2000): 5,0
Diretor(es): Kathryn Bigelow
Roteirista(s): Anita Shreve, Alice Arlen, Christopher Kyle
Elenco: Catherine McCormack, Sarah Polley, Sean Penn, Josh Lucas, Elizabeth Hurley, Ciarán Hinds, Ulrich Thomsen. 113 min. BUENA VISTA
Frida (DVD & VHS)
Desde os primeiros momentos nota-se que FRIDA é um trabalho quase artesanal da diretora Julie Taylor com a produção (diga-se dinheiro, suor e amizades) de Salma Hayek, que também protagoniza (com bastante destaque) esta biografia de uma pintora, realmente, à frente de seu tempo.
O trabalho de direção é elogiável em diversos momentos, como nas inserções das pinturas com a personagem. A direção de arte e os figurinos nos remetem a todo clima do México nos anos 20, isto é, muita cor vibrante na tela. E a trilha sonora mantém o clima pulsante da protagonista, sempre lembrando que se trata de uma mexicana, forte e talentosa, além da musica tema cantada por Caetano Veloso e Lilá Dows.
Como cinebiografia tem se a impressão que a vida da pintora Frida Kahlo poderia render no mínimo mais um filme, tanto que em diversos momentos não são explorados todos os personagens que desfilam pela tela, todos interpretados por vários atores reconhecidos como Antonio Banderas, Edward Norton e Geoffrey Rush. Inclusive a passagem de Beto Rockfeller, em Nova York, (Norton) é demasiadamente pequena pois se trata de um momento cultural importante já retratado também em outro filme, O PODER VAI DANÇAR, de Tim Robbins.
Entretanto, a vida particular e o posicionamento político da pintora foram bastante respeitados e em diversos momentos retratados no filme, imagino que se a produção fosse exclusivamente americana excluiriam estes momentos da película, para não gerar controvérsia e polêmica. O que me faz lembrar de um fato que provavelmente foi imposto a diretora e a Salma Hayek, o filme ser falado em inglês (para melhor comercializar no mundo), porém isto retira um pouco do charme de FRIDA. Não quero esquecer também a presença hipnotizante de Alfred Molina, ator com poucas chances no cinemão americano (o que vai mudar com a chegada de HOMEM-ARANHA II), interpretando o amor e o companheiro de Frida, Diego Rivera.
Quanto a Salma Hayek só tenho elogios, tanto pela sua atuação apaixonada quanto pelo cuidado com a produção, fato que poderia ocorrer mais seguidamente com outros artistas ao se comprometerem com alguma obra. Claro que FRIDA tem erros mas estes são superados pela explosão, de uma vida trágica e apaixonada, com cores vibrantes na telona.
FRIDA (EUA, 2002): 7,0
Diretor(es): Julie Taymor
Roteirista(s): Hayden Herrera, Clancy Sigal
Elenco: Salma Hayek, Alfred Molina, Geoffrey Rush, Ashley Judd, Antonio Banderas, Edward Norton, Valeria Golino. 118 min. IMAGEM FILMES
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 1:37 AM [+] ::
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:: Outubro 13, 2003 ::
Escândalo (DVD & VHS)
Baseado em fatos reais, ESCÂNDALO revisita um caso polêmico que envolveu políticos e coristas na Inglaterra dos anos 50/60. Isto é, mostra os bastidores das relações políticas (na época da Guerra Fria), amorosas e sexuais da sociedade aristocrata inglesa. Produção de 1989, ESCÂNDALO está sendo lançado agora em DVD.
ESCÂNDALO tem em sua primeira hora uma construção de ambientes e personagens ricos, onde o roteiro não dá lugar a hipocrisia e revela todos os fatos dos bastidores. A fato mais relevante do filme é, com certeza, a forte crítica contra o falso moralismo inglês (ou seja, hipocrisia). Entretanto, na hora de terminar os eventos narrados, o filme se torna cansativo por tentar ser didático demais além de longo em demasia.
Quanto ao elenco, Michael Caton-Jones, diretor, contou com o talento de Sir Ian McKellen, de O SENHOR DOS ANÉIS, numa caracterização perfeita deixando-o quase irreconhecível; John Hurt, de ALIEN, a principiante, na época, Bridget Fonda já mostrando talento num papel delicado e a protagonista Joanna Whaley (antes de ser ex-senhora Val Kilmer), que anda bastante sumida, aqui, encontra uma personagem incrível de ser interpretada a sua altura. Todos são responsáveis pelos melhores momentos do filme.
ESCÂNDALO: 5,0
Direção: Michael Caton-Jones
Elenco: John Hurt, Joanne Whalley-Kilmer, Ian McKellen, Bridget Fonda. 114min Paramount.
O Guru do Sexo (DVD & VHS)
Divertida e despretensiosa comédia romântica que bebe na fonte das produções indianas de Bollywood (aquela indústria cinematográfica que faz mais de mil filmes por ano, sendo sua maioria produções românticas musicais). O GURU DO SEXO conta a história de Ramu, um dançarino indiano, fanático por GREASE que tenta a sorte em Nova York para tentar o estrelato. As coisas não acontecem como Ramu imaginava, e ele acaba sendo convidado para ser ator de filmes pornôs e, depois, é confundido com um guru indiano numa festa high society (num momento hilário do filme).
A maioria das situações cômicas de O GURU DO SEXO ficam por conta dos conselhos de Ramu, o guru, aos casais riquíssimos de Nova York, sendo esses conselhos, em sua maioria, sexuais (conselhos recolhidos por Ramu através de suas conversas com sua parceira nos filmes pornôs). Parceira esta interpretada por Heather Graham, de MATA-ME DE PRAZER, com extrema doçura e ingenuidade apesar de ser atriz pornô (por exemplo, Heather esconde de seu noivo católico virgem sua profissão dizendo-se professora primária).
E assim como as produções indianas, O GURU DO SEXO possue diversos números musicais (inclusive um homenageando GREASE), o que me faz perceber o bom trabalho da diretora, também roteirista, Daisy von Scherler Mayer, que conseguiu unir comédia, romance e musical num só filme sem parecer uma salada de gêneros. A lamentar a participação fraca de Marisa Tomei (que não anda com muita sorte ultimamente) repetindo novamente uma personagem histérica, assim como, em FELIZ COINCIDENCIA, seu trabalho mais recente. Deve ser uma das comédias mais bacanas e originais (apesar do tema indiano) deste ano e olhe que quem está escrevendo não gosta muito de comédias.
O GURU DO SEXO: 6,0
Direção: Daisy Von Scherler Mayer
Roteirista: Daisy Von Scherler Mayer
Elenco: Jimi Mistri, Heather Graham, Marisa Tomei, Christina Baranski. 94min Universal
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 12:00 AM [+] ::
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:: Outubro 4, 2003 ::
Vou aproveitar para comentar alguns filmes que chegam neste mês ou já chegaram recentemente às locadoras, que eu tive oportunidade de ver no cinema. São eles:
Matrix Reloaded
Ao final de MATRIX RELOADED fica a pergunta: será que os irmãos Wachowski são extremamente inteligentes ou fizeram esta película como veículo para ganhar muito dinheiro (já que tem mais um filme - MATRIX REVOLUTIONS) a custa de embromar os fãs do primeiro filme?
Todo mundo sabe que MATRIX (original) é um filme que já marcou a história recente do cinema. Desde seu conceito pop, com várias referências literárias (inclusive a bíblia) e seu inovadores efeitos visuais, MATRIX já é um filme extremamente plagiado e copiado (tanto por filmes de ação quanto por comédias).
No entanto, ao elevarem seu enredo original a uma trilogia, os irmãos Wachowski arriscaram ao tentar tornar seu enredo mais complexo do que já era. Muitos ficam filosofando as supostas teorias escondidas atrás de cada imagem na película, para mim tudo não passa de um filme extremamente bem feito e divertido, tentando inovar o gênero de ficção e ação ao misturar tudo o que já tinha sido mostrado no cinema.
E aí se encontra o maior problema de MATRIX RELOADED, como não termina como um filme regular (deixa o final em aberto após várias revelações), torna-se apenas uma imitação do primeiro (fato que pode ser modificado após a chegada do fim da trilogia) e como são parecidos, prefiro ficar com a novidade do primeiro (pois é isto que o segundo filme perde, novidade).
Quanto à produção, o filme continua com uma estética bem pop com poucas mudanças em relação ao primeiro (somente a roupa de Neo está meio absurda e a cenografia da última cidade humana um pouco exagerada), os efeitos continuam arrasadores porém também não acrescentam muita novidade aos fãs do primeiro, somente são mais coreografados e têm maior tempo de duração na tela.
Quanto às novidades prometidas para o filme, acho bastante interessante a adição dos personagens Merovingian e Perséfone a mitologia de Matrix, juntamente com os atores que representam estes papéis (principalmente a beleza hipnotizante de Mônica Belucci), no mais todos os outros continuam vivendo seus personagens como no primeiro filme.
Espero que MATRIX REVOLUTIONS feche com chave de ouro o que promete ser a trilogia mais importante para a ficção científica neste novo século.
MATRIX RELOADED: 6,0
Diretor(es): Andy Wachowski, Larry Wachowski
Roteirista(s): Andy Wachowski, Larry Wachowski
Elenco: Keanu Reeves, Laurence Fishburne, Carrie-Anne Moss, Hugo Weaving, Matt McColm, Jada Pinkett, Harry J. Lennix
138min. WARNER
Exterminio
Todos quase sempre falaram a mesma coisa, mas mesmo tendo utilizado várias fontes para fazer seu filme, inclusive dezenas de filmes sobre mortos-vivos e zumbis de décadas passadas, inclusive do famoso cineasta George Romero, Danny Boyle e seu roteirista (Alex Garland) vão além ao nos demonstrar e questionar como será o nosso fim. Será que isto acontecerá através de um vírus mortal, um evento apocalíptico, através da fúria da natureza ou simplesmente pela formação de uma sociedade sem regras, ordens e liberdade ?
O estilo de filmagem , com câmera digital não muito nítido nem bonito, porém extremamente eficaz para demonstrar um futuro apocalíptico pessimista. Com isto, Danny Boyle, montou um filme extremamente nervoso e angustiante, iniciando magistralmente com a tomada de Londres e outras localidades vazias e abandonadas. E estruturou seu filme em três atos distintos: descoberta da solidão e abandono, descoberta da real situação (zumbis) e fuga imediata e transformação do protagonista em indivíduo selvagem ando contra outro tipo de vilão pelo que ele acredita ser o certo.
Aproveitando, sobre o elenco, não conheço o protagonista (Cillian Murphy) porém parece extremamente adequado para o papel, já que passa tranqüilamente de um barbudo perdido em Londres a uma pessoa cruel e fria protegendo seus amigos dos vilões da segunda parte do filme. Somente achei que o personagem de Chistopher Eccleston beira sempre o clichê de militares em filmes. Destaque para a presença marcante e humana de Brendan Gleeson.
Deixei para o final o roteiro, gosto bastante dos diálogos sobre o fim da humanidade como, por exemplo, não vai haver novas músicas que já não foram ouvidas. Porém, no terceiro ato, Alex Garland novamente questiona que tipo de sociedade nos governará, obviamente após uma quebra das convenções atuais, assim como ele fez em A PRAIA, um filme fraco na sua produção que também foi dirigido por Danny Boyle, mas que serviu de veículo para o sucesso de Di Caprio pós-Titanic e afundou nas bilheterias e no seus conceitos. Aqui, Garland, obtém maior sucesso juntamente com Boyle.
EXTERMÍNIO: 8,0
Diretor(es): Danny Boyle
Roteirista(s): Alex Garland
Elenco: Cillian Murphy, Naomie Harris, Megan Burns, Brendan Gleeson, Christopher Eccleston, Alex Palmer. 112 min FOX
O Ultimo Suspeito
Após alguns trabalhos mais focados para a comédia, tendo sucesso em alguns (Máfia no Divã e Entrando numa Fria) e fracassos em outros (Alceu e Dentinho, Showtime e A Máfia volta ao Divã) é com muita boa vontade que recebemos Robert De Niro de volta a um filme policial com um personagem denso e com conflitos polêmicos, além de atuais.
O filme é O ÚLTIMO SUSPEITO, nenhuma primazia de filme, pelo menos imagino que irá ficar conhecido como o filme do policial que tem um filho drogado; até porque o tom policial da película é banal o que faz o filme crescer é a utilização do conflito pai-filho em diálogos em que ressentimento, culpa e desilusão são discutidos rispidamente.
Outro detalhe é o título absurdo em português, já que este se chama City by the Sea, que nos remete a cidade natal do personagem de De Niro, e o título em português nos lembra um suspense, o que levanta a questão de o suspeito ser ou não o culpado, fato este que no início do filme é respondido, pelo menos para o espectador.
Graças a este drama, o filme se salva, em determinados momentos, e acaba ganhando destaque frente aos últimos desta safra. Tudo isso, conduzido pelo conflitante De Niro e o quase irreconhecível James Franco (sim, aquele menino amigo de Peter Park, em O HOMEM ARANHA). Isso pode ser observado já que os momentos de maior tensão são as discussões protagonizadas pela dupla.
Porém isto ocasionou o sumiço de vários personagens sem qualquer explicação como por exemplo, Gina (a belíssima Eliza Dushku); Maggie, mãe de Joey la Marca (Franco) e o maior desperdício de todos, Francês McDormand, pois sua participação é muito limitante mas mesmo assim marcante (sua personagem faz os melhores questionamentos ao personagem de De Niro, levantando a questão ética x família).
Quando paro para pensar no conflito principal do filme, não posso deixar de comentar a infeliz coincidência deste com as notícias que pipocam todo dia nos telejornais sobre pais desesperados que matam seus filhos ou o contrário, o que adiciona ao filme um ar de realidade-atualidade, por mais triste que seja, pois as drogas têm ocasionado um erro irreparável em várias famílias na nossa sociedade.
O ÚLTIMO SUSPEITO: 6,0
Diretor(es): Michael Caton-Jones
Roteirista(s): Mike McAlary, Ken Hixon
Elenco: Robert De Niro, James Franco, Eliza Dushku, Patti LuPone, Drena De Niro, Stephi Lineburg, Leslie Cohen. 108min. EUROPA FILMES
O Apanhador de Sonhos
Quem for esperto e ler a sinopse de O Apanhador de Sonhos, recente adaptação do livro homônimo do escritor Stephen King escrita por ele durante sua recuperação após o acidente sofrido em 1999, vai poder reconhecer vários temas recorrentes de suas obras como, por exemplo, a cidade de Maine, o isolamento obrigatório em função da neve, amizade entre meninos, poderes sobrenaturais e monstros assassinos, aqui representados por aliens. Sim, estão todos lá na telona, isto sem contar que a película possui um humor atípico durante a projeção.
Caso o parágrafo acima não tenha aguçado sua curiosidade de assistir o filme, então fuja, porém se você acha que vale a pena dar uma espiada nessa mistura do maior escritor de terror e ficção atual, vá conferir porque provavelmente você conseguirá se divertir.Como optei pela segunda opção começo a comentar o que vi.
Se há algum problema maior em O APANHADOR DE SONHOS, certamente ele reside no seu roteiro surreal, isto é, até para alguém que conhece as histórias de King, se irrita pelos vários momentos absurdos, fica difícil não se perguntar porque estamos sentados assistindo a este espetáculo de bizarrices, tem desde, aliens carnívoros a viagens pelo depósito de mente de um personagem, então, haja boa vontade.
No entanto, não culpo a equipe de roteiristas por este fato,apesar de poderem ter criado melhor as cenas de suspense, já que as idéias vêm do livro de King e adaptando-o não se pode fugir da narrativa que ele possui, até que os roteiristas conseguem dar gás a um filme de metragem longa, está certo que para isto eles contaram com um elenco, no mínimo bom, efeitos especias bem utilizados e uma trilha composta especialmente para assusta-lo, sim, se houver sustos estes foram causados pelo aumento nada discreto do som.
O que se estranha é o envolvimento de Laurence Kasdan, cineasta com reconhecido talento e inexperiência neste gênero, que resolveu se arriscar em um filme nada convencional porém já visto de várias maneiras diferentes em outras adaptações de King.
O que sobra são a primeira hora do filme, especialmente instigantes ao mostrar o dom de cada um dos personagens, a utilização de Duddits, o amigo com deficiência mental, somente no final (utilizando a figura de Donnie Wahlberg, que está se especializando em pequenas aparições, porém inesquecíveis, exemplo O Sexto Sentido e a lamentar a figura prepotente mas nada original do militar incorporado por Morgan Freeman.
O APANHADOR DE SONHOS: 2,0
Diretor(es): Lawrence Kasdan
Roteirista(s): Stephen King, William Goldman, Lawrence Kasdan
Elenco: Morgan Freeman, Thomas Jane, Jason Lee, Damian Lewis, Tom Sizemore, Timothy Olyphant, Donnie Wahlberg, Ingrid Kavelaars. 136min. WARNER
O Novato
Com este frase está expressa todas as idéias que O NOVATO quer mostrar, porém o efeito é o contrário. O que se consegue é que cada reviravolta está minuciosamente planejada num roteiro extremamente manipulador e ilusório, o que acaba por frustrar o espectador, que adivinha cada passo que o filme dá.
Entretanto com um diretor hábil em filmes políticos, um ator em ascensão e outro ganhador de Oscar, fica difícil imaginar um produto final tão supérfulo e banal como este. Estes são, respectivamente, Roger Donaldson, realizador do eficiente 13 DIAS QUE ABALARAM O MUNDO; Colin Farrell, astro de DEMOLIDOR e POR UM FIO; e o espetacular Al Pacino, o melhor de todos mas que ultimamente tem trabalhado demais, vide o pouco sucesso de O ARTICULADOR e S1MONE (apesar deste último ser muito interessante).
Com a chegada de O NOVATO percebe-se que os estúdios hollywoodianos acham que para fazer um thriller político ou um suspense é necessário revirar a trama de cabeça para baixo tentando pegar o espectador de surpresa, não se importando em tornar a mesma uma fraude. Além disso, neste caso específico, há ainda o aviso prévio de reviravolta, então nem surpreendido você vai ser.
O NOVATO: 4,0
Diretor(es): Roger Donaldson
Roteirista(s): Roger Towne, Kurt Wimmer, Mitch Glazer
Elenco: Eugene Lipinski, Al Pacino, Colin Farrell, Bridget Moynahan, Gabriel Macht, Brian Rhodes, Kenneth Mitchell, Mark Ellis. 115min. BUENA VISTA
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 1:31 AM [+] ::
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A Liga Extraordinária (CINEMA)
Muito se comentou sobre A LIGA EXTRAORDINÁRIA, alguns se divertiram outros consideram-no o pior filme do ano, mas uma opinião é unânime: o desperdício de uma história com bastante potencial retratada na tela como um filme de ação questionável.
Fico no meio termo, concordo que A LIGA deixa muito a desejar porém suas idéias me parecem tão originais que alguma coisa após sua exibição vale a pena conferir. A idéia de unir vários heróis da literatura inglesa no final do século 19 cria duas situações favoráveis ao filme, primeiro, a grande maioria dos personagens já estiveram presentes em outras produções cinematográficas, como Allan Quatermain interpretado por Richard Chamberlain em produções parecidas com INDIANA JONES nos anos 80, o que facilita a identificação com o público; e a segunda, a união dos vários personagens e as inúmeras referências literárias (além dos personagens, há referências ao Fantasma da Ópera, James Bond e Sherlock Holmes).
Entretanto é só, infelizmente a partir de agora, os defeitos de A LIGA saltam aos olhos de espectador, primeiramente, como um filme de aventura o filme possui os piores defeitos especiais deste ano, nada soa verdadeiro, tudo parece falso ou digital. Além de possuir explosões desnecessárias, como a explosão dos zepellins e do palácio na África. As imagens são muito escuras, provavelmente, para esconder estes terríveis efeitos. E o que dizer dos difamáveis cortes de edição no momento das cenas de ação, quem disse que isso gera emoção ou adrenalina (somente pode ter sido o pseudodiretor Michael Bay, de BAD BOYS).
Mas o pior se concentra todo no roteiro, James Dale Robinson, deveria ser banido do meio pois, além, de escrever esta bobagem ele ainda difamou todos estes personagens incríveis. Alan Moore, criador de graphic novel, deve estar enlouquecido por ter vendido sua obra-prima para estes terríveis produtores. Claro que no final das contas, são os produtores que mandam no filme, e é esta impressão que fica para quem assisti-lo. Tanto que a idéia absurda de adicionar um herói americano (Tom Sawyer), num cenário britânico e esta não possuir nenhum poder especial, acabando por diferenciá-lo dos demais, só pode ter saído da imaginação destes produtores.
Mas não é só isso, os próprios atores não estão muito bem em cena, até Sean Connery que deveria compor um Quatermain decadente parece estar mais aborrecido do que nunca (deve ser porque ele é produtor executivo e viu a bobagem quando o filme ficou pronto).
A LIGA EXTRAORDINÁRIA: 4,0
Diretor(es): Stephen Norrington
Roteirista(s): Alan Moore, Kevin O'Neill, James Robinson
Elenco: Sean Connery, Naseeruddin Shah, Peta Wilson, Tony Curran, Stuart Townsend, Shane West, Jason Flemyng, Richard Roxburgh. 110 min. FOX
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 1:05 AM [+] ::
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:: Outubro 1, 2003 ::
Voltando a Viver (DVD & VHS)
A cada novo projeto admiro mais Denzel Washington, não bastasse ser um ator apaixonado pelo seu oficio (vide sua entrega a cada novo filme, por exemplo, HURRICANE, de Norman Jewison), é reconhecido pelo seu papel social em Hollywood (principalmente pelas escolhas dos seus papéis, sempre lutando contra injustiças sociais e fundamentalmente o preconceito racial), Denzel resolveu enveredar para novos projetos: sua primeira escolha é a direção deste tocante VOLTANDO A VIVER .
Mas o que pode haver de diferente em mais uma nova história baseada em fatos reais, simplesmente porque VOLTANDO A VIVER conta com um roteiro escrito pelo próprio Antwone Fisher (personagem principal da história), baseado em suas memórias. E diferente do que podia se imaginar, Antwone não utiliza a película para fazer propaganda de si mesmo, consegue parecer verdadeiro com seu relato pois não esconde os defeitos de Antwone (somente tenta explicá-los) e não glorifica ou fantasia sua vida (como na maioria das cinebiografias, sempre contadas como uma fábula ou recheadas de clichês).
Se coube a Antwone escrever sua história, a Denzel coube a tarefa de dirigir e atuar. No primeiro, se sai muito bem, mostrando ter cuidado com as imagens e muito carinho com os atores pois todos estão bem (principalmente, Derek Luke, novato que personifica toda raiva e carência do seu personagem), porém atuando, Denzel (bastante contido) tem problemas pois a trama paralela do seu personagem não é real e soa muito artificial e imposta, para Denzel ter um papel maior no filme (acredito que por pressão dos produtores).
Entretanto o que marca ao final da exibição é a humanidade dos personagens e a realidade dos fatos, inclusive levantando uma questão, vale a pena ser adotado por um família problemática com, no mínimo, pessoas despreparadas para criar crianças ou ficar morando num orfanato até a maioridade?, para Antwone a primeira opção deixou marcas profundas no seu psicológico e corpo físico, mas este teve capacidade de ir adiante e enfrentar seus fantasmas para se tornar uma pessoa melhor.
VOLTANDO A VIVER: 7,0
Diretor(es): Denzel Washington
Roteirista(s): Antwone Fisher
Elenco: Derek Luke, Malcolm David Kelley, Cory Hodges, Denzel Washington, Joy Bryant, Salli Richardson, Leonard Howze. 120 min. Fox Filmes
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 10:10 PM [+] ::
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O Americano Tranquilo (DVD & VIDEO)
Muito se mostrou no cinema sobre a Guerra do Vietnã (temos desde o clássico APOCALIPSE NOW, de Francis Ford Coppola, passando por PLATOON, de Oliver Stone, até o recente FOMOS HERÓIS, de Randall Wallace). Entretanto todos mostravam, com maior ou menor competência, conflitos ocorridos durante a guerra, que se estendeu por quase dez anos, mas que eu me lembre, nenhum retratou o período anterior ao grande conflito com todos os nuances e jogadas políticas (contando ainda com um triângulo amoroso) ocorridas na época. É isto que O AMERICANO TRANQUILO consegue exibir em duas horas de projeção.
Baseado no livro homônimo de Graham Greene (do ótimo FIM DE CASO), O AMERICANO TRANQUILO recebeu um tratamento genial dos roteiristas. Estes souberam extrair o melhor do livro, além dos bastidores políticos, a trama envolvente entre o velho jornalista inglês Thomas Fowler (católico e casado), sua jovem amante vietnamita e o recém chegado Pyle, rapaz americano cheio de promessas e segundas intenções. Nesse triângulo pode-se observar uma interessante metáfora pois cada personagem reflete seu país de origem nos anos 50, como por exemplo, Fowler representa o decadente império colonialista inglês que impedido por sua conservadora sociedade acaba por ceder seu amor vietnamita ao conquistador americano (sempre desconfiados de uma nova ameaça comunista, no pós-guerra).
Philip Noyce, diretor de dois episódios do agente Jack Ryan, JOGOS PATRIÓTICOS e PERIGO REAL E IMEDIATO, conseguiu com extremo talento retratar todas as tramas que o roteiro conduz, mostrando o clima de conflito que já estava no ar e, ao mesmo tempo, com sensibilidade mostrar o difícil conflito pelo qual passa Fowler com a chegada do americano tranqüilo.
Ainda mais surpreendente está o veterano ator Michael Caine (melhor ainda que em REGRAS DA VIDA, de Lasse Hallstrom), comandando a narrativa. Mostra-se sensível, apaixonado, generoso e vingativo, quando esta se mostra a única solução para sua vida continuar em paz no Vietnã. Caine constrói seu personagem, primeiramente ingênuo para somente depois perceber as intrigas que estão ocorrendo ao seu redor (entrega uma interpretação dramática e emocionante, utilizando muitas vezes somente um olhar).
Vale destacar, também, a presença surpreendente de Brendan Fraser (de O RETORNO DA MÚMIA, de Stephen Sommers), deixando de lado um pouco seu lado palhaço para entregar um personagem complexo bem diferente dos seus últimos trabalhos.
O AMERICANO TRANQUILO: 8,0
Diretor(es): Phillip Noyce
Roteirista(s): Graham Greene, Christopher Hampton, Robert Schenkkan
Elenco: Michael Caine, Brendan Fraser, Do Thi Hai Yen, Rade Serbedzija, Tzi Ma, Robert Stanton, Holmes Osborne. 118 min. Buena Vista.
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 10:05 PM [+] ::
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