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:: Dezembro 30, 2003 ::


Tomb Raider - A Origem da Vida (DVD & VHS)



Este ano vem provar certas questões que os produtores de Hollywood nunca aprendem. Para filmes terem potencial econômico e fazerem sucesso com o público não basta uma pessoa ou personagem, roteiro e direção são imprescindíveis na condução deste mesmo personagem senão tudo se transforma numa bobagem infinita embalada com bastante barulho e efeitos especiais.


Falo isso porque, esta última safra de filmes pipoca, foi execrável, em sua maioria eram filmes continuações (o que sempre compromete a originalidade do filme), então se salvaram com honra e mérito somente PIRATAS DO CARIBE (que coincidentemente vai ganhar uma continuação) e PROCURNADO NEMO. No mais, as bilheterias somente conseguiram tapar parte do buraco ou, pior ainda, nem isso conseguiram. Exemplo deste último caso foi TOMB RAIDER - A ORIGEM DA VIDA, legitimo exemplar do verão americano que naufragou nas bilheterias.


Os motivos são os mais variados: desde a escolha equivocada de Jan de Bont (diretor de TWISTER e A CASA AMALDIÇOADA), que não acerta em um filme há bastante tempo, nem mesmo na direção das cenas de ação; e o roteiro que propõem uma viagem através do mundo (uma das melhores coisas do filme, que são as paisagens), sendo que derrapa em algumas situações absurdas para um filme de aventura (exemplo, Lara bater no focinho de um tubarão digital, as criaturas horripilantes do final da película, muita fantasia para um suposto filme sério) pois se é para avacalhar que se assuma um tom de paródia como em AS PANTERAS.


Mas para salvar TOMB RAIDER do completo equivoco, temos a presença hipnotizante de Angelina Jolie, cada vez mais linda e escultural (confiram assistindo a cena inicial onde Lara aparece de biquíni), mesmo com o roteiro não lhe ajudando, Jolie consegue chamar a atenção e salvar o pouco que resta depois de entrada de seu suposto parceiro em cena, o canastrão Gerard Butler.


Um detalhe que me ocorreu, e na hora em que assistia me irritou bastante é a destruição de qualquer cenário arqueológico, muito estranha para uma caçadora de tesouros politicamente correta. Que saudades do Indie!


LARA CROFT TOMB RAIDER - A ORIGEM DA VIDA: 3,0
(Lara Croft and the Cradle of Life: Tomb Raider 2, EUA, 2003)
Diretor(es): Jan de Bont
Roteirista(s): Steven E. de Souza, James V. Hart, Dean Georgaris
Elenco: Angelina Jolie, Gerard Butler, Ciarán Hinds, Chris Barrie, Noah Taylor, Djimon Hounsou, Til Schweiger, Simon Yam. 130 min. PARAMOUNT


:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 1:41 AM [+] ::
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:: Dezembro 25, 2003 ::

O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (CINEMA)



E por incrível que pareça acabou a primeira trilogia do novo século, que por pura coincidência tratava-se de uma história passada num tempo longínquo baseada numa história composta de seres fantásticos, fantasia, magia e, principalmente, amizade entre os diferentes (faz bastante falta atualmente). A outra trilogia terminada neste ano (iniciada na verdade em 99), MATRIX, acabou se tornando um filme virtual do tamanho da pretensão dos seus diretores (mesmo sendo um bom filme entretenimento, se considerado desta maneira).


O SENHOR DOS ANÉIS terminou mas deixou marcas no cinema, principalmente nos cinéfilos e nos produtores de Hollywood que puderam observar que projetos levados a sério por pessoas competentes, conseguem transformar projetos considerados inadaptáveis a telona em obras populares e inesquecíveis.


A última parte da trilogia, O RETORNO DO REI, lançado agora, fecha com chave de ouro (podendo ser considerado o melhor de todos apesar dos inúmeros finais) a trilogia idealizada por Peter Jackson há, no mínimo, uns 6 anos atrás e esperada pelos fãs nestes longos três anos. Observando, agora, nem parece que já se passaram três anos desde o lançamento de A SOCIEDADE DO ANEL, outra prova do quão magnífico foi este projeto que, deste tempo para cá, somente aumentou o público que acompanhou a difícil odisséia de Frodo Bolseiro e dos outros povos da Terra Média.


O RETORNO DE REI inicia com uma introdução narrando o surgimento de Smeagol transformado, mais tarde, em Gollum pelo poder do Um Anel. O que se justifica graças ao sucesso do personagem, extremamente importante nesta saga, e pelo talento de Andi Serkis interpretando Gollum através dos efeitos digitais (mais uma vez, prova que os efeitos são um pano de fundo para contar uma boa história). Aproveitem pois temos mais algumas oportunidades de acompanhar as divertidas e bizarras conversas da dupla personalidade de Gollum, um show à parte.


A partir disto, somos novamente levados aos eventos que terminaram AS DUAS TORRES. Frodo, Sam e Gollum continuam tentando levar o Um Anel para a destruição, enquanto isso, Gandalf e os demais recém-saídos da vitoriosa batalha nos Campos de Pelennor discutem qual seria o novo passo de Sauron.


Na parte técnica , o filme consegue ser extremamente bem editado, fotografado com excelente som (exemplo, são os apavorantes sons dos Nazgul) e os já citados, efeitos especiais (todos fundamentais ao filme mas não mais importantes que a história). Devem ser presença certa no Oscar.


Quanto aos personagens, RETORNO DO REI glorifica Sam Wise, parceiro de Frodo no seu fardo, interpretado com paixão por Sean Astin, utilizando a amizade para sobrepor o medo (sentimento nobre que Tolkien sempre ressaltou em seus livros). Além dele, Aragorn, Merry, Pippin e Éowyn enfrentam dramas e situações bastante difíceis sendo extremamente aproveitados pelo roteiro e pelos atores.


No mais, somos levados a momentos eletrizantes e angustiantes como a batalha nas Minas Tirith (simplesmente excepcional, perfeita e arrepiante, como o filme todo), ou a momentos reflexivos e emocionantes como os conselhos de Gandalf durante toda a película. Portanto, O RETORNO DO REI continua e adiciona ares de épico a esta magnífica produção.


Não sei se O RETORNO DO REI tem alguma chance concreta para premiações de melhor filme do ano, entretanto, faço campanha para a premiação de Peter Jackson como melhor diretor, por simplesmente ser a peça fundamental para a trilogia, soube respeitar o fã de Tolkien e renovar a história para o público comum (simplesmente porque a história trata da eterna luta entre o bem e o mal com alguns desdobramentos, sendo o principal, a valorização de sentimentos como amizade, tolerância e coragem, temas não muito levados a sério atualmente).


Ainda mais neste episódio derradeiro, no qual Jackson soube explorar da melhor forma as mais diversas situações que o roteiro lhe propunha (a caverna de Laracna; a já citada batalha nas Minas Tirith; a loucura do regente Denethor; por não mostrar a batalha na qual fere-se Faramir, somente indicada pela canção de Pippin, genial; e o principal: não personificar Sauron, pois não se faz necessário e seria uma situação completamente equivocada se ocorresse).


P.S.: e agora como vou ficar no próximo final de ano sem a angustiante espera pelo novo episódio do SENHOR DOS ANÉIS ?


O SENHOR DOS ANÉIS - O RETORNO DO REI: 10
(The Lord of the Rings:The Return of the King,EUA/Nova Zelândia,2003)
Diretor(es): Peter Jackson
Roteirista(s): Philippa Boyens, Peter Jackson, Stephen Sinclair
Elenco: Elijah Wood, Sean Astin, Dominic Monaghan, Billy Boyd, Ian McKellen, Ian Holm, Viggo Mortensen, Orlando Bloom, John Rhys-Davies, Andy Serkis, Bernard Hill, Miranda Otto, Liv Tyler, Hugo Heaving. 200 min. WARNER

:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 10:36 PM [+] ::
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:: Dezembro 24, 2003 ::

A Última Noite (DVD & VHS)



Spike Lee é um cineasta de duas paixões, entre outras em sua filmografia: sua proposta de cinema social (principalmente, baseado em causas raciais) e seu amor por Nova York (na maioria das vezes, cenário de seus filmes). Agora, Lee, no pós-11 de setembro, resolve demonstrar como anda o espírito de nova-iorquino, numa belíssima metáfora, sobre um traficante de drogas que tem um último dia para aproveitar sua liberdade antes de ser preso.


Baseado no livro de David Benioff (também roteirista do filme), A ÚLTIMA NOITE, o livro foi escrito antes do 11 de setembro, portanto, esta adaptação para um cenário mais melancólico é um detalhe a mais nesta cruzada na qual acompanhamos Monty (Edward Norton).


Os cenários do filme são uma triste Nova York (obviamente!), iniciando pelas imagens das torres de fachos de luz colocadas no lugar do WTC, um visual poético mais, ao mesmo tempo, bastante depressivo.


O mais interessante de A ÚLTIMA NOITE é ser um projeto pouco pessoal na filmografia de Spike Lee, que aqui deixa de lado seu tom de denúncia contra o racismo nos EUA para fazer uma espécie de retrato do nova-iorquino atual. Observando o quanto às amizades e a família fazem falta nestes momentos mais difíceis (no filme, a prisão de Monty; na vida real, o ataque terrorista).


Para isso, Lee contou com um elenco extraordinário, Edward Norton faz um traficante diferenciado pois sabe de sua culpa, no entanto, ainda procura respostas para saber como chegou a este momento (principalmente descobrir que lhe delatou). Monty nunca nos surge na tela como um herói, pois isto ele não é, somente foi uma pessoa que escolheu caminhos errados em sua vida e agora terá que acarretar com estas conseqüências; assim busca o conforto nos amigos (Barry Pepper e Philip Seymour Hoffman), sua namorada Naturelle (Rosário Dawson) e o reencontro com seu pai (Brian Cox, onipresente neste ano; foram O CHAMADO, X-MEN 2, DESAFIO DO DESTINO e este).


E se temos Edward Norton dando um show, o mesmo se pode dizer de Barry Pepper (quase desconhecido do grande público que fez FOMOS HERÓIS e a bomba), além do sempre talentoso Philip Hoffman (de MAGNOLIA, BOOGIE NIGHTS, entre outros) numa dobradinha especial com Anna Paquin (a Vampira, de X-MEN).


Para mim, além do excelente filme, fica na memória a cena entre Rosário e Barry, no bar, onde conversam sobre como deixaram Monty se envolver no tráfico, todos acabam constatando que aceitaram isto numa boa seja por dinheiro ou por não querer se envolver. Assim, Lee demonstra que continua dirigindo histórias, extremamente, reflexivas e verdadeiras, sem apelar para um falso moralismo.


A ÚLTIMA NOITE: 8,0
(25th Hour, EUA, 2002)
Diretor(es): Spike Lee
Roteirista(s): David Benioff
Elenco: Edward Norton, Philip Seymour Hoffman, Barry Pepper, Rosario Dawson, Anna Paquin, Brian Cox, Tony Siragusa, Levani Outchaneichvili. 134 min. BUENA VISTA

:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 12:41 AM [+] ::
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:: Dezembro 20, 2003 ::

A Estranha Família de Igby (DVD & VHS)



O cinema independente americano da década de noventa e, ainda forte e cada vez melhor nesta década, começa a apresentar um efeito colateral inusitado, a pretensão de ser independente, de possuir uma linguagem própria de filmagem com história e personagens bastante excêntricos. Somente esqueceram de avisar Burr Steers (diretor /roteirista), que neste gênero o principal (e que deveria valer para todos os filmes) é contar com uma história e personagens bem desenvolvidos.


O que acontece com A ESTRANHA FAMÍLIA DE IGBY é que para contar uma história diferente e inusitada, Steers (que também é roteirista de COMO PERDER UM HOMEM EM 10 DIAS), imaginou que somente transformando seu protagonista num verdadeiro anti-herói adolescente e lhe dando uma família louca, como motivo de sua rebeldia, seria o suficiente para criar um típico filme independente.


Mas faltou, principalmente, profundidade aos personagens secundários, pois da maneira que está na tela, eles me parecem somente uns desajustados completamente ensandecidos, nenhum personagem mostra verdadeiramente os motivos que lhe levaram a possuir determinado comportamento, como se esperava numa produção que se propõe a esmiuçar uma típica família americana (com exceção, do personagem pouco aproveitado de Bill Pullman).


Entretanto, o humor negro utilizado por Steers para descrever este cenário inusitado consegue arrancar alguns risos, principalmente na cena inicial, logo me vem a mente que o responsável por salvar o filme do completo equívoco é à presença de Kieran Culkin, salvando o protagonista do comportamento bizarro, e a presença sempre magnética de Susan Sarandon (apesar de momentos caricaturais). No mais o restante do elenco parecem peças decorativas, e pior mal desenvolvidas, somente representado por atores conhecidos (porém parecem caricaturas e sem função no contexto do filme).


A pretensão quase levou o filme ao completo equivoco, não fosse o que sobrou de bom na história: o divertido retrato de um desajustado, e seu humor inusitado.


A ESTRANHA FAMÍLIA DE IGBY: 6,0
(Igby Goes Down, EUA, 2002)
Diretor(es): Burr Steers
Roteirista(s): Burr Steers
Elenco: Kieran Culkin, Claire Danes, Jeff Goldblum, Jared Harris, Amanda Peet, Ryan Phillippe, Bill Pullman, Susan Sarandon. 97 min. FOX

:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 10:39 PM [+] ::
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:: Dezembro 19, 2003 ::

Simplesmente Amor (CINEMA)



Como é bom ser surpreendido, principalmente, se a surpresa vier de uma comédia romântica (gênero que nunca primou pela novidade em seus roteiros). Além disso, a comédia é britânica, isto quer dizer, sempre utilizando histórias inteligentes e humor ácido e refinado, como aconteceu em QUATRO CASAMENTOS E UM FUNERAL, O DIÁRIO DE BRIDGET JONES, entre outros exemplos recentes. O que não é coincidência é que este filme possuiu roteiro/direção do mesmo responsável pelos filmes acima citados, Richard Curtis.


Provavelmente, por ser perito em comédias românticas, Curtis, resolveu utilizar os recentes exemplos de filmes com os mais diversos personagens em momentos de suas vidas (como SHORT CUTIS e MAGNÓLIA), para retratar o sentimento mais complexo do ser humano: o amor.


Utilizando as mais diversas situações, nem vale a pena comentá-las separadamente pois são pelo menos uma 10, Curtis utiliza a época do Natal (nada mais apropriado, pois nesta época estamos mais sensíveis a ataques de sentimentalização, sendo também uma época onde sentimos a necessidade de alguém ao nosso lado), para retratar o amor e suas conseqüências num painel que mistura homens, mulheres e crianças; casados e solteiros; de todas as idades; nas mais diferentes situações econômicas e posições sociais. Para Curtis, portanto, all need is love.


Assim, poderia , Curtis, ter facilmente errado a mão, confundindo o espectador ou deixando os personagens a deriva durante o desenvolver da trama (não há como negar que certas resoluções ficam meio decepcionantes, entretanto, no contexto geral do filme isto é um mero detalhe), mas isso não ocorre. Curtis somente pede que acompanhemos suas histórias com paciência inicialmente até conhecermos seus personagens.


Claro, que neste tipo de filme o elenco é extremamente importante, sendo assim, Curtis chamou seus conhecidos (Hugh Grant, Colin Firth, Rowan Atkinson, entre outros), para ter confiança num projeto bastante audacioso (na campanha de marketing, a frase utilizada foi à comédia romântica definitiva), o que contribuiu, certamente, para o seu sucesso. Todo o elenco está bem, com algum destaque maior para, Bill Nighy (o roqueiro) e Hugh Grant (o primeiro ministro), que possuem as melhores piadas, inclusive uma referente aos americanos.


Entretanto , a melhor história para mim ficou com Colin Firth, recém viúvo que se apaixona pela empregada portuguesa, demonstrando que para o amor não há barreiras lingüísticas. Para nós brasileiros, além desta história na qual estamos indiretamente envolvidos (pois entendemos o que a personagem e sua família falam durante o filme), há a presença do internacional Rodrigo Santoro (agora falando e atuando discretamente, como pede seu personagem). Sem sombra de dúvida, a melhor comédia romântica do ano (ou até em anos).


SIMPLESMENTE AMOR: 9,0
(Love Actually, Inglaterra, EUA, 2003)
Diretor(es): Richard Curtis
Roteirista(s): Richard Curtis
Elenco: Bill Nighy, Gregor Fisher, Rory MacGregor, Colin Firth, Sienna Guillory, Liam Neeson, Emma Thompson, Lulu Popplewell, Alan Rickman, Hugh Grant, Laura Linney, Keira Knightley, Rodrigo Santoro. 135 min. UIP

:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 12:58 AM
[+] ::
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:: Dezembro 13, 2003 ::

Sobre Meninos e Lobos (CINEMA)



Já fazia algum tempo que um filme não conseguia me surpreender, sendo um filme de suspense. Mas não surpreender através de surpresas e reviravoltas (que também são interessantes, principalmente, se inteligentes), mas sim com uma estrutura na qual os personagens são os principais motivos para o filme existir, e suas relações criam tensão, suspense e bastante incômodo. Este filme é SOBRE MENINOS E LOBOS, dirigido por Clint Eastwood.


Clint, inclusive, é o maior beneficiário desta ótima produção, assim ele se recupera dos seus filmes anteriores que eram muito fracos, e acaba recuperando o status de época de OS IMPERDOAVEIS, que lhe rendeu inclusive um Oscar. Aqui, Clint não atua, mas dirige de uma forma irrepreensível, a função do diretor é apenas observar e mostrar os bastidores destes meninos do titulo.


Entretanto, Clint contou com um elenco estupendo, obviamente amparados por um excelente roteiro. Sean Penn, Tim Robbins e Kevin Beacon (Jimmy, Dave e Sean respectivamente) são os meninos citados no titulo, apresentam personagens com características tridimensionais (parece estranho, mas atualmente, os personagens são tão caricaturais ou simplesmente, mocinhos e vilões, que SOBRE MENINOS E LOBOS, acaba repercutindo por mostrar o ser humano como uma pessoa traumatizada, frágil e vingativa). Além destes, ainda há a presença dos coadjuvantes: o núcleo feminino (Laura Linney e Márcia Gay Harden) que por diversas vezes roubam a cena e me surpreenderam bastante e, ainda, Laurence Fishbourne que acaba exorcizando Morpheus (de Matrix), como um policial extremamente racional.


Mas alguns (espero que a minoria) podem afirmar que o roteiro de SOBRE MENINOS E LOBOS é lento e previsível, o que posso rebater argumentando que o ritmo é necessário para mostrar as facetas dos personagens (a partir dos eventos ocorridos na infância dos personagens); e além disso, a história policial é meramente um pano de fundo para mostrar as dores e traumas dos personagens (tanto que eu já previa o assassino da história), mas acabei de queixo caído com as resoluções dos personagens (principalmente, Jimmy e Dave).


Assim, surge um dos prováveis indicados ao Oscar (não sei em quantas categorias, acho que pelo menos nas indicações aos atores), e o ressurgimento de um dos pilares do cinema americano (em plena forma, mesmo não atuando), Clint Eastwood. Num dos melhores filmes deste ano.


SOBRE MENINOS E LOBOS: 9,0
(Mystic River, EUA, 2003)
Diretor: Clint Eastwood
Roteiro: Brian Helgeland
Com: Sean Penn, Tim Robbins, Kevin Beacon, Laurence Fishbourne, Laura Linney, Marcia Gay Harden, Adam Nelson. 137 min. WARNER

:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 1:33 AM [+] ::
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:: Dezembro 12, 2003 ::

Sem Risco Aparente (DVD & VHS)



Recentemente comentei que filmes com potencial comercial tendo a presença de atores reconhecidos quando chegam diretamente em vídeo deve-se por estes serem considerados, em sua maioria, fracos. Na ocasião do meu comentário quis exemplificar que para esta regra há exceções, porém, no caso de SEM RISCO APARENTE isso não ocorre.


Inicialmente tem-se um quadro bastante instigante que é a história de um policial, também músico amador, que em função de um favor prestado a uma vizinha acaba se envolvendo com uma quadrilha que planeja um golpe. Baseado num famoso conto policial (acho que o nome seria algo como A Casa da Rua Turca), SEM RISCO APARENTE erra ma quesito principal: a construção dos personagens.


O papel principal, no caso de herói, o policial Jack pertence ao, sempre competente e presença marcante, Samuel L. Jackson, entretanto este passa mais da metade do filme sentado como prisioneiro da quadrilha, acaba sendo um erro fatal da película a anulação do herói. Assim sendo, sobram poucas situações para o policial interagir, sendo vítima da sua inércia.


Quanto à quadrilha ela é formada pelo ator predileto de Lars Von Trier (DOGVILLE), Stelan Skarsgaard (A CASA DE VIDRO), Milla Jovovich (RESIDENT EVIL) e Doug Hutchison (mais conhecido como vilão de A ESPERA DE UM MILAGRE ou pelos fãs de Arquivo X, como Eugene Tooms, o comedor de fígados da primeira temporada do seriado). Eles ocupam maior tempo na tela, mais em brigas e questões internas do que planejando o golpe, o que deixa o ritmo do filme bem lento. Estas situações ainda são um desfile de clichês do gênero: brigas entre os membros da quadrilha, planos paralelos para o roubo e várias tentativas de fuga de Jack, entre outras cenas já vi isto em algum lugar.


O responsável (ou culpado?) pode ser considerado a mutilação do roteiro que em momento algum (a não ser no início) consegue criar situações com suspense e prender nossa atenção, função esta também de responsabilidade do diretor Bob Rafeson, que não consegue nem criar uma ambientação de policial e muito menos, de suspense.


Portanto, elenco bom + história ruim = filme medíocre e desinteressante.


SEM RISCO APARENTE: 3,0
(No Good Deed, EUA/ALE, 2002)
Diretor: Bob Rafelson
Roteiro: Christopher Canaan e Steve Barancik
Com: Samuel L. Jackson, Milla Jovovich, Stellan Skarsgaard, Doug Hutchison, Grace Zabriskie. 103 min. EUROPA FILMES

:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 10:33 AM [+] ::
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:: Dezembro 7, 2003 ::

Encontros do Destino (DVD & VHS)



Este ano os cinéfilos de plantão não tem o que reclamar, pois os filmes que não chegam aos cinemas (os que chegam, em sua maioria, são os filmes pipocas) estão conseguindo um espaço bastante razoável nas locadoras, momento no qual vários filmes deixam de ser injustiçados pelo público. Porém, nas locadoras ocorre também um fenômeno de descoberta de títulos desconhecidos, como exemplo, este ano tivemos o telefilme BANG BANG! VOCE MORREU, NARC, DONNIE DARKO e agora no final do ano chegou outra exemplar do magnífico cinema independente americano, ENCONTROS DO DESTINO.


ENCONTROS DO DESTINO é um drama a principio comum que conta a historia de moradores de um subúrbio americano que possuem em comum vários momentos de suas vidas compartilhados. A primeira vista, comparei com o acido BELEZA AMERICANA, contudo, ENCONTROS... não possui tom de critica ou humor negro, mas sim é um singelo e emocionante drama, apenas isso (como se fosse pouca coisa). Então, após assisti-lo lembrei-me de MAGNÓLIA, um dos meus favoritos, pois este também versa sobre dramas de pessoas com momentos difíceis que por alguma razão acabam cruzando umas com as outras.


E é isto o que acontece em ENCONTROS... se você gostou de MAGNOLIA, dificilmente não apreciará este exemplar (claro, que com suas devidas proporções, o filme de Paul T. Anderson é um épico humano, aqui é somente retratada uma história de quatro famílias envolvidas por uma tragédia).


Comecei a gostar de ENCONTROS... logo nos seus créditos iniciais, utilizando uma maquete bem estilizada somos apresentados as quatro famílias com seus nomes e respectivos atores sendo caracterizados por bonecos envoltos por casas e cercas brancas (nada mais comum!).


A partir desta introdução somos jogados (literalmente) na rotina destas famílias , que não por acaso, está perto do caos, quando os problemas vão ter que ser resolvidos e nada mais poderá ser adiado. Quase todos os personagens são protagonistas pois pelo menos meia dúzia possui um contexto e uma situação a ser explorada. Este é, pra mim, o maior mérito da diretora Rose Troche, conseguir explorar todos os nuances dos diversos personagens e conduzi-los de maneira acertada, quase como se fossemos um voyeur, espiando nossos vizinhos.


Assim, somos levados a perceber que algum acontecimento atingiu estas quatro famílias, além das histórias paralelas. Este acontecimento, acertadamente, é demonstrado aos poucos não chega e nem deve ser uma surpresa pois já sabemos o resultado dele, o que nos interessa é saber a resolução que cada personagem tomará para conseguir levar sua vida adiante (observem como filmes que colocam personagens em situações irreversíveis são sempre instigantes!).


Vale lembrar que para garantir o respaldo da história o filme é cercado por bons atores em papeis acertados. Além da sempre talentosa Glenn Close (bastante sumida!), tem ainda, duas surpresas para mim, no caso, Dermot Mulroney (O CASAMENTO DO MEU MELHOR AMIGO) e Timothy Olyphant (O APANHADOR DE SONHOS), atores que duvidava do talento, mas que aqui estão muito bem, provavelmente em papeis que realcem seus talentos dramáticos (ou foi sorte da diretora).


Mesmo assim, fica a lembrança de um ótimo drama, inédito nos cinemas, que conta uma história extremamente emocionante (fazia tempo que eu não me emocionava assistindo um filme) sem ser triste ou depressivo, pois vale lembrar que todos passamos por problemas, a diferença está em como lhe dar com eles.


ENCONTROS DO DESTINO: 8,0
(The Safety of Objects, EUA/ING, 2001)
Direção: Rose Troche
Roteiro: Rose Troche
Com: Glenn Close, Dermot Mulroney, Joshua Jackson, Jéssica Campbell, Mary Kay Place, Timothy Olyphant, Patricia Clarkson. 110min. CALIFÓRNIA FILMES.

:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 8:30 PM [+] ::
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:: Dezembro 5, 2003 ::

As Quatro Plumas (DVD & VHS)



Vivemos tempos onde certos atos em busca de comprovação ou reconhecimento frente a uma sociedade são considerados inadequados e ultrapassados, porém estas são as principais motivações do nosso protagonista. Essa é a maior barreira para assistir HONRA & CORAGEM - AS QUATRO PLUMAS (olha a bagunça no título, ficaram em dúvida na escolha e por isto acabou ficando conhecido pelos dois, assim criaram este quase texto, aqui vou me referir por AS QUATRO PLUMAS, seu titulo original).


Filmado recentemente, AS QUATRO PLUMAS soa antigo e velho, melhor sorte teria se tivesse sido realizado 50 anos atrás. Claro que estes não são os únicos equívocos do filme, Shekhar Kapur (diretor do também histórico ELIZABETH), não conta com um roteiro muito favorável, este é por demasiado longo e inverossímil (ou alguém acha possível atravessar sozinho da Inglaterra até o Sudão com a facilidade de Heath Ledger e, ainda, fazer amizade com um nativo que fala inglês - que sorte, né?); e o trio de atores principais - Heath Ledger, Kate Hudson e Wes Bentley - não esta muito inspirado (seus diálogos soam artificiais, provavelmente, em função do burocrático roteiro).


Entretanto, Kapur possui um apuro técnico inestimável dando ares épicos à película. Ele nos coloca dentro do deserto (quanta poeira!) e ao mesmo tempo nos mostra toda pompa e circunstância da Inglaterra do século XIX.


E aí que se encontra a força de AS QUATRO PLUMAS, o retrato histórico é rico (pela reconstituição de época e cenários) e perfeito, pois os personagens não são somente mocinhos e vilões (com exceção de nosso herói), não esqueçam que a Inglaterra era colonizadora na época (ou seja, seria a vilã) e o Sudão era o colonizado (ou escravizado, como preferirem). Imagino que até por este motivo o filme não tenha conseguido êxito internacional (principalmente nos EUA), pois em tempos de terrorismo real, o passado não interessa.



AS QUATRO PLUMAS: 5,0
(The Four Feathers, EUA, 2002)
Diretor(es): Shekhar Kapur
Roteirista(s): A.E.W. Mason, Michael Schiffer
Elenco: Heath Ledger, Wes Bentley, Kate Hudson, Djimon Hounsou, Michael Sheen, Lucy Gordon, Nick Holder, Alex Jennings. 125 min. IMAGEM FILMES

:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 1:28 AM [+] ::
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:: Dezembro 4, 2003 ::
Quero, a partir deste mês, pois trabalho numa locadora, dar uma geral nos lançamentos que chegarão durante o mês, no caso, dezembro primeiramente.
Como alguns devem notar, como todos acham que há pouca procura no mês de dezembro nas locadoras (tanto que os lançamentos chegam até 20/12), há também pouca oferta. Aqui vão alguns destaques:

MEU PAPAI É NOEL (Buema Vista)
REGRAS DA ATRAÇÃO (LK-Tel)
A ÚLTIMA NOITE (Buena Vista)
SECRETÁRIA (LK-Tel)
PINÓCHIO (aquele mesmo do Roberto Benigni, Buena Vista)
LARA CROFT: TOB RAIDER 2 (Paramount)
DIDI-O CUPIDO TRAPALHÃO (Columbia)
FOI SÓ UM BEIJO (Paramount)
A VIAGEM DE CHIHIRO (Europa)
DEBI & LÓIDE 2 (Playarte)
STEAL-FUGA ALUCINADA (Europa)
OCTANE-O CAMINHO DO MAL (Playarte)
MENTIRAS E TRAPAÇAS (Europa)
SEQUESTRO EM MALIBU (Warner)
A COR DO PARAÍSO (Europa)
ANITA NÃO PERDE A CHANCE (Warner)
MORTE AO REI (FlashStar)
CRUZEIRO DAS LOUCAS (Imagem)
A LIGA EXTRAORDINÁRIA (comentário no site, Fox)

No mais sobram alguns lançamentos direto para video (claro que pode haver alguma surpresa), se alguem quiser saber sobre algum filme especificamente entre em contato, que prontamente responderei.
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 12:34 AM [+] ::
... Comments:

Procurando Nemo (DVD & VHS)



Não é por nada, mas é bom a Disney começar a repensar seus desenhos e suas produções, pois se o estúdio venceu as bilheterias neste ano (está com os dois filmes mais vistos de 2003, PROCURANDO NEMO e PIRATAS DO CARIBE), foi em função do mega produtor Jerry Bruckheimer associado ao estúdio (no caso, de PIRATAS DO CARIBE) e o pior, PROCURANDO NEMO é somente distribuído pela Disney pois o projeto pertence ao já conhecido estúdio Pixar, realizadores de TOY STORY, MONSTROS S.A., entre outros.


Mas o sucesso de PROCURANDO NEMO não se deve somente às crianças, este tem agradado também aos adultos (inclusive, este que vos escreve), provavelmente pela beleza da animação (nunca o fundo do mar foi tão rico de imagens) e, principalmente, pela história e seus personagens.


PROCURANDO NEMO conta a história de Nemo que vive com seu pai superprotetor Marlin até o dia em que é capturado por um mergulhador e levado para um aquário. Decidido a encontrar seu filho, Marlin parte numa arriscada aventura, cheia de surpresas. Mesmo tímido e medroso, ele conta com a ajuda da atrapalhada e simpática Dory. Nada muito desafiador (até porque é feito para crianças), mas este conta com personagens bem construídos e carismáticos envolvido em situações bastante emocionantes e cheias de aventura.


O meu personagem predileto é mais do que óbvio, é a Dory, peixe que acompanha Marlin em suas aventuras e que possui uma característica bastante peculiar, perda de memória recente (algo como que sofria o personagem de Guy Pearce em AMNÉSIA). Portanto, qualquer coisa que lhe diga ele se esquece em poucos minutos, ocasionando situações hilárias e muito divertidas, além disso, Dory ainda fala, durante o filme, baleies (a língua das baleias numa cena engraçadíssima).


Se não chega a ser tão bom ao politicamente incorreto SHREK, PROCURANDO NEMO, por ser Disney-Pixar, tem muitas situações que deverão ser mais reconhecidas pelos adultos do que pelas crianças, como por exemplo, o tema do aparecimento da sobrinha do dentista onde está Nemo, nada melhor que PSICOSE.


PROCURANDO NEMO: 8,0
(Finding Nemo, EUA, 2003)
Diretor(es): Andrew Stanton
Roteirista(s): Andrew Stanton
Elenco: Albert Brooks, Ellen DeGeneres, Alexander Gould, Willem Dafoe, Brad Garrett, Allison Janney, Austin Pendleton, Stephen Root. 101 min. BUENA VISTA

:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 12:19 AM [+] ::
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:: Dezembro 1, 2003 ::

Contra o Tempo(DVD & VHS)



Acho que rapidamente Joel Silver, poderoso produtor hollywoodiano por trás da trilogia MATRIX, precisará encontrar uma nova franquia que lhe garanta algum retorno financeiro ou artístico (o que fica bem difícil sendo seus filmes em sua maioria de ação). Aqui, ele se junta novamente ao diretor Andrzej Bartkowiak, de ROMEU TEM QUE MORRER, um diretor que adicionou alguns truques bem sacados em ROMEU... (primeiro filme de ação contagiado pela moda Matrix).


Outro encontro em CONTRA O TEMPO, é dos realizadores de ROMEU... com o ator Jet Li, que não vem dando muita sorte nas produções americanas, vide o pouco sucesso de seus últimos trabalhos (este, ROMEU TEM QUE MORRER e O CONFRONTO). Aqui, Jet li está subaproveitado e parece bastante envelhecido, precisa repensar a carreira americana (até porque Jet Li negou o convite para participar da trilogia MATRIX!!!!!).


O pior de tudo é que Jet Li, que ainda tem a companhia de Mark Dacascos, de PACTO DOS LOBOS, como vilão, acaba se tornando coadjuvante do rapper DMX (observem como estes rappers estão invadindo os filmes, pelo menos se fossem bons atores ou tivessem algum carisma não haveria problemas maiores), e além deles, ainda há espaço para os chatos Tom Arnold e Anthony Anderson, que a principio seriam o alivio cômico de CONTRA O TEMPO.


No mais, nada se salva a não ser uma ou duas cenas de maior adrenalina, num filme de ação sem muita ação com um roteiro absurdo até mesmo para um filme do gênero.


CONTRA O TEMPO: 2,0
(Cradle 2 the Grave, EUA, 2003)
Diretor(es): Andrzej Bartkowiak
Roteirista(s): Reggie Rock Bythewood, John O'Brien
Elenco: Jet Li, DMX, Mark Dacascos, Anthony Anderson, Kelly Hu, Gabrielle Union. 100 min. WARNER

:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 11:44 PM [+] ::
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