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:: Fevereiro 28, 2004 ::
Este mês tivemos nas locadoras um fenômeno bastante curioso. Entre todos os filmes lançados, três são filmes realizados na longínqua Austrália, pelo jeito novo pólo cinematográfico. E todas as produções, de diferentes gêneros, possuem elenco de renome e produções bastante acessíveis a grande população (ou seja, são produções comerciais). São eles: NED KELLY, CAMPEÃO e MISTÉRIOS DO PASSADO (MISTÉRIOS comento num próximo post).
Ned Kelly (DVD & VHS)
Exemplo da diversidade de filmes vindo da Austrália, NED KELLY é um faroeste que mistura aventura com drama pois é baseada em fatos real, conta a história de um bando de ladrões que entraram para a história australiana ao enfrentar a tropa policial da rainha Vitória em pleno século XIX.
No entanto, o filme de Jordan não se resume simplesmente a criar tiroteios e planos de roubo (apesar de tudo isto estar presente); inicia demonstrando quem é Ned Kelly (inclusive, mostra que sua marginalidade foi ocasionada pela policia local) e sua numerosa família (sem ter um pai), mostrando o porque de suas escolhas até a formação do bando, e a disputa final com a policia. A ambientação de trama é rica, demonstrando a precariedade das condições na Austrália da época, inclusive, lembra o velho-oeste americano (a utilização dos coletes a prova de bala são um exemplo).
O roteiro de Robert Drewe e John M. McDonagh resvala, entretanto, na condução das situações como, por exemplo, o interesse romântico de Ned (Naomi Watts, de O CHAMADO, desperdiçada), e não consegue superar os clichês do gênero (não consegue superar o clima de Robin Hood, ladrão dos pobres).
O elenco esta repleto de atores conhecidos: como Ned está o astro em ascensão Heath Ledger, imprimindo coragem e determinação ao personagem, muito diferente de outro personagem seu em AS QUATRO PLUMAS; Orlando Bloom (O SENHOR DOS ANÉIS) como irmão de Ned; Geoffrey Rush (PIRATAS DO CARIBE) como o oficial que persegue o bando de Kelly; a mencionada acima Naomi Watts e, ainda, Rachel Griffiths (de HILARY & JACKIE).
NED KELLY: 5,5
(Ned Kelly, Austrália, Inglaterra, França, 2003)
Diretor(es): Gregor Jordan
Roteirista(s): Robert Drewe, John M. McDonagh
Elenco: Heath Ledger, Orlando Bloom, Geoffrey Rush, Naomi Watts, Laurence Kinlan, Phil Barantini, Joel Edgerton, Kiri Paramore. 109 min. UNIVERSAL
Campeão (DVD & VHS)
Inusitado exemplar na filmografia de Russell Mulcahy (de HIGHLANDER e outros diversos filmes de aventura de segunda categoria), este volta às origens para contar a história real da família Fingleton, um verdadeiro drama familiar.
O maior mérito deste trabalho é a direção de Mulcahy, que cria recursos de montagem para mostrar as provas de natação (objeto de disputa entre os dois irmãos), mantendo sempre a atenção do espectador. Além disso, Mulcahy acerta na narrativa (sob o ponto de vista de Tony Fingleton, também roteirista) que vê sua família ruir com a disputa incentivada pelo pai bêbado (Geoffrey Rush, sempre muito bem em cena).
O roteiro escrito a duas mãos, Tony e sua irmã, não apela para o sentimentalismo fácil tornando a trama bastante verdadeira. Não esconde suas raízes, como a difícil situação financeira da família, nem a relação conflituosa de Tony com o pai (pois este prefere descaradamente o filho mais velho) e deste com toda família
Apesar de deixar uma impressão de "ser um filme já visto", CAMPEÃO possui elementos dramáticos clássicos deste gênero, mas a presença de um conflito (Irmão vs. Irmão) consegue superar a simplicidade da situação (filmes com temática pais/filhos, sempre mexem comigo).
CAMPEÃO: 7,0
(Swimming Upstream, EUA, Austrália, 2002)
Diretor(es): Russel Mulcahy
Roteirista(s): Anthony Fingleton e Diane Fingleton
Elenco: Geoffrey Rush, Judy Davis, Jesse Spencer, Tim Draxl, David Hoflin, Craig Horner, Brittany Byrnes, Debora Kennedy. 114 min. IMAGEM FILMES
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 1:43 AM [+] ::
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:: Fevereiro 26, 2004 ::
Dicionário de Cama (DVD & VHS)
Lembram aqueles filmes de antigamente onde havia choques culturais como pano de fundo para uma história de amor impossível, pois é, o diretor e roteirista Guy Jenkin decidiu revisitar esse contexto em DICIONÁRIO DE CAMA, filme sessão da tarde com "cara de que já vi isto antes".
Mas, como atualmente, os filmes românticos não possuem quase nenhum charme, é muito interessante voltar no tempo e lembrar estes romances em ambientes exóticos. Até porque temos a morena lindíssima Jéssica Alba (do seriado Dark Angel), representando a nativa Selima (o filme se passa na Malásia), que tem como função ser "dicionário de cama" para um novo integrante do governo inglês que trabalhará naquela terra, no caso, o jovem estudante e tímido, John. A partir deste encontro nasce uma paixão proibida com rumos dignos de um novelão (separação - casamento - filho - reencontro).
Para dar maior apoio ao jovem elenco se encontram no filme dois excelentes atores em papéis coadjuvantes, mas, de extrema importância a trama: Bob Hoskins (UMA CILADA PARA ROGER RABITT) e a maravilhosa atriz (uma das minha prediletas) Brenda Blethyn (O BARATO DE GRACE), que aqui ataca de verdadeira vilã.
No mais, nada que vc já não tenha visto em outros filmes amor proibido/lugares exóticos, como em A LAGOA AZUL, somente revisto por um diretor nostálgico. Mas mesmo assim com algum charme e sensualidade (como visto no pôster do filme).
DICIONÁRIO DE CAMA: 5,5
(The Sleeping Dictionary, EUA, 2003)
Diretor(es): Guy Jenkin
Roteirista(s): Guy Jenkin
Elenco: Jessica Alba, Brenda Blethyn, Hugh Dancy, Bob Hoskins, Christopher Ling Lee Ian, Junix Nocian, Michael Jessing Langgi. 109 min. PLAYARTE
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 2:37 AM [+] ::
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:: Fevereiro 24, 2004 ::
Como muitos já devem ter observado, não sou muito fã de comédias, filmes desse gênero dificilmente me faze rir, no máximo, sorrisos ao longo da exibição. Por isto, não me admira não ter gostado muito das produções abaixo, inclusive estas produções americanas em nada se renovam, são sempre as mesmas situações no qual a única coisa que se renova é o elenco (que nem sempre se salva).
Tratamento de Choque (DVD & VHS)
Jack Nicholson se tornou, nos últimos anos, um verdadeiro wokholic; e melhor, fazendo sucesso com suas interpretações, primeiro foi A PROMESSA (policial com forte tom dramático, no qual Nicholson dá um show), em seguida, AS CONFISSÕES DE SCHMIDT (indicado para o Oscar e outros prêmios, Nicholson entrega um personagem melancólico e cinicamente engraçado), entretanto em TRATAMENTO DE CHOQUE, Nicholson divide os créditos com Adam Sandler numa comédia de sorrisos amarelos.
Dirigida de forma burocrática por Peter Segal (do horrível PROFESSOR ALOPRADO 2), que não consegue criar o clima de diversão, TRATAMENTO DE CHOQUE existe somente para criar uma dupla que no papel seria hilária: o jeito neurótico de Sandler (que esta se especializando neste estereótipo, mas pelo menos mostrou que se bem dirigido acerta o tom, como em EMBRIAGADO DE AMOR) e o cinismo doido de Nicholson (que aqui usa e abusa dos trejeitos e caretas).
Culpa do roteiro que em diversos momentos abusa da patetice de Sandler e do mau caratismo de Nicholson o que, inclusive, dificulta aceitar numa boa a resolução final do filme. Assim, David (roteirista) não consegue criar uma química entre os dois atores prejudicando o filme, além de adicionar Marisa Tomei como um vértice do inusitado triângulo amoroso, porém Marisa esta muito séria ficando fora do tom cômico do filme.
No entanto, escalar atores conhecidos em papeis inusitados e diferentes consegue manter o interesse desta comédia. São eles: John Turturro, Luiz Guzmán, Heather Graham, Woody Harrelson, John C. Reilly além de uma dupla de atrizes que fazem um casal de lésbicas em situações bastante engraçadas. Nada mais do que isso.
TRATAMENTO DE CHOQUE: 4,5
(Anger Management, EUA, 2003)
Diretor(es): Peter Segal
Roteirista(s): David Dorfman
Elenco: Adam Sandler, Jack Nicholson, Marisa Tomei, Luis Guzmán, Jonathan Loughran, Kurt Fuller, Krista Allen, January Jones. 106 min. COLUMBIA
Alex & Emma (DVD & VHS)
Nos últimos anos, as comédias românticas viraram coqueluche para os estúdios americanos, filmes de orçamento mediano mas que rendem bilheterias gordas (não esquecendo depois a renda dos DVD e VHS, pois este gênero é o predileto da maioria das mulheres). Este subgênero vem se multiplicando nas salas de cinema e nas prateleiras das locadoras, muitos são filmes realmente bons, como SIMPLESMENTE AMOR, entretanto outros, como VOANDO ALTO e ENCONTRO DE AMOR, são literalmente fabricados para arrancar suspiros nas mulheres sendo rapidamente esquecidos.
ALEX & EMMA passou quase desapercebido nos cinemas (até porque veio na esteira do sucesso COMO PERDER UM HOMEM EM 10 DIAS, que também é protagonizado pela atriz Kate Hudson), mas deve encontrar seu público nas locadoras. Dirigido pelo especialista no gênero Rob Reiner (de HARRY & SALLY) é decepcionante ver o resultado final do filme.
Até porque o roteiro de ALEX & EMMA utiliza um truque bastante divertido nestes filmes que é, utilizar uma trama dentro de outra. No caso, o personagem Alex (Luke Wilson, bastante deslocado) precisa escrever um livro urgentemente para fugir dos agiotas que o perseguem (idéia inverossímil), acaba tendo a idéia de contratar uma estenografa, Emma (Kate Hudson, sempre charmosa) para datilografar seu livro, enquanto isto acontece, vamos vendo o resultado dele interpretado pelos mesmos atores (Hudson chega a fazer três papéis). No inicio, ríspida Hudson começa a palpitar no livro de Alex criando um clima de amor e ódio.
Não fosse a pobreza de situações tanto na trama quanto do próprio livro encenado, ALEX & EMMA, poderia ter tido maior sorte. Os roteiristas não aproveitam nem mesmo o velho clichê de triângulo amoroso (desperdiçando a belíssima Sophie Marceau) para dar gás ao aborrecido filme. Assim tudo corre depressa demais prejudicando a química de Wilson-Hudson que seria fundamental ao sucesso e a identificação do público (ou alguém não lembra que é o casal protagonista de HARRY & SALLY ??).
ALEX & EMMA: 4,0
(Alex & Emma, EUA, 2003)
Diretor(es): Rob Reiner
Roteirista(s): Jeremy Leven, Adam Scheinman, Andrew Scheinman
Elenco: Luke Wilson, Kate Hudson, Chino XL, Lobo Sebastian, Rob Reiner, Paul Wilson, David Paymer, Sophie Marceau. 90 min. IMAGEM FILMES
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 12:07 AM [+] ::
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:: Fevereiro 20, 2004 ::
Deixe-me Viver (DVD & VHS)
A primeira vista, DEIXE-ME VIVER, parece mais um melodrama mexicano feito exclusivamente para as mulheres no entanto, após 15 minutos de exibição, ganha ares de um drama familiar sobre crescimento e busca de identidade para a adolescente Astrid, fugindo dos eternos clichês, como por exemplo, a redenção das personagens.
Os méritos da produção se encontram no elenco e, principalmente, no roteiro de Mary Agnes Donoghue que, em nenhum momento deixa o filme cair na pieguice e nas armadilhas do gênero. O roteiro consegue ficar centrado na figura da adolescente Astrid (dos 12 anos até os 20, mais ou menos), rodeada de figuras femininas estranhas que demonstram todo sua fraqueza frente à menina. Além disso, Astrid tem de lhe dar com a figura egoísta e amargurada de sua mãe ao mesmo tempo em que amadurece e busca sua identidade.
Mas o filme não seria o mesmo sem a presença de Alison Lohman (que está também em OS VIGARISTAS) que, juntamente com a maquiagem, envelhece de maneira adequada tanto fisicamente quanto psicologicamente, apesar dos traumas e acontecimentos nos quais esteve envolvida durante sua adolescência. Lohman incute ingenuidade no inicio do filme que vai se transformando em revolta e, finalmente, em liberdade, acho que esta menina vai longe (menina não, ela já tem uns 23 anos).
Outro acerto da produção foi a escalação de um elenco coadjuvante estelar: Michelle Pfeiffer (REVELAÇÃO) está cinicamente linda, um verdadeiro anjo loiro de egoísmo, lembro, inclusive que em determinado momento do filme ela diz à filha que a solidão é condição humana, se referindo a posição na qual sua filha está. Além dela, existe ainda as boas participações de Robin Wright Penn (A PROMESSA), Renne Zellwegger (ABAIXO O AMOR) e Patrick Fugit (QUASE FAMOSOS).
Simplesmente gostei do que vi.
DEIXE-ME VIVER: 7,0
(White Oleander, EUA, 2002)
Diretor(es): Peter Kosminsky
Roteirista(s): Janet Fitch, Mary Agnes Donoghue
Elenco: Alison Lohman, Michelle Pfeiffer, Renée Zellweger, Robin Wright Penn, Patrick Fugit, Amy Aquino, John Billingsley, Elisa Bocanegra, Darlene Bohorquez. 109 min. EUROPA FILMES
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 12:41 AM [+] ::
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:: Fevereiro 19, 2004 ::
Cold Mountain (CINEMA)
Existe uma corrente criada em função do agressivo marketing da Miramax para sempre concorrer ao Oscar, onde os filmes que possuem áurea de independentes com toques de grandes produções e elenco conhecido, são crucificados pela critica e pessoas que consideram este tipo de produção uma fraude. Não gosto de pré julgar os filmes, mas que estes filmes estão ocupando muito espaço na mídia em função deste maldito marketing, isto é verdade.
Exemplo de diretor que segue estas regras, Anthony Minghella (O PACIENTE INGLÊS e O TALENTOSO RIPLEY), dirige agora COLD MOUNTAIN que, obviamente , tentou ser o favorito nas indicações ao Oscar deste ano mas somente conseguiu em parte (provavelmente, pelo pensamento que vem surgindo citado anteriormente).
No Oscar, COLD MOUNTAIN teve suas indicações merecidas e suficientes (ator, atriz coadjuvante, fotografia, montagem, trilha sonora e duas canções), para mim o destaque fica com Renée Zellwegger (ABAIXO O AMOR) e a belíssima fotografia (sobre trilhas prefiro não opinar). Apesar de achar que Jude Law (AI - INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL) está correto em seu papel, prefiro (entre os que eu já observei) indicar Paddy Considine (TERRA DOS SONHOS).
Tirando estas polêmicas ao redor destas questões, COLD MOUNTAIN é um filme correto (um pouco cansativo) que utiliza uma narrativa episódica e dividida entre os dois protagonistas (Law e Nicole Kidman), cada um vivendo suas aventuras separados por uma guerra (civil). Baseado na obra de Charles Frazier, COLD MOUNTAIN transporta A Odisséia, de Homero, para o período da Guerra Civil americana.
Minghella inicia seu filme com uma batalha espetacular (inclusive, a película é impecável tecnicamente) para depois deixar este aspecto de lado e viajar pelo cotidiano atribulado do apaixonado casal. Entretanto, o roteiro erra num momento crucial, não cria empatia entre o casal o suficiente para torcemos por eles, é muito mais emocionante ficar esperando cada aventura de Inman (Law) e o desespero solitário de Ada, até a chegada da rouba-cena Ruby (inusitado papel de Zellweger). Faltou paixão para o romance se tornar inesquecível e imaginação para surpreender o público, pois tudo ocorre como previsto.
Com esta narrativa utilizada pelo filme, o maior destaque fica por conta das inúmeras participações com o decorrer da exibição, são muitos (mas muitos mesmos). Eu contei, pelo menos, uns seis personagens fazendo ponta na narrativa , entre eles: Donald Sutherland (UMA SAÍDA DE MESTRE), Kathy Baker (DE PORTA EM PORTA), Philip Seymour Hoffman (MAGNOLIA) sempre ótimo, Jena Malone (DONNIE DARKO), Natalie Portman (O PROFISSIONAL), Giovanni Ribisi (SIMPLES COMO AMAR), Brendan Glesson (GANGUES DE NOVA YORK) também excelente e, para surpresa, Jack White (da banda White Stripes), que canta folk e não compromete como alguns poderiam achar.
COLD MOUNTAIN: 7,0
(Cold Mountain, EUA, 2003)
Diretor(es): Anthony Minghella
Roteirista(s): Charles Frazier, Anthony Minghella
Elenco: Jude Law, Nicole Kidman, Renée Zellweger, Eileen Atkins, Brendan Gleeson, Philip Seymour Hoffman, Natalie Portman, Giovanni Ribisi. 155 min. BUENA VISTA
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 12:16 AM [+] ::
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:: Fevereiro 17, 2004 ::
A Vida de David Gale (DVD & VHS)
Há somente uma coisa que realmente me incomoda neste suspense que discute a pena de morte, A VIDA DE DAVID GALE, dirigido pelo competente Alan Parker (de filmes como O EXPRESSO DA MEIA NOITE, EVITA e MISSISSIPI EM CHAMAS): a obviedade inicial da trama de Charles Randolph, aquela famosa e proposital corrida contra o tempo para salvar um preso no corredor da morte (situação usada e abusada com exaustão pelo cinema americano).
Deixando de lado este detalhe, o filme possui um discurso humanista como há muito o cinema não via, pois este recurso da pena de morte em filmes sempre foi utilizado para criar filmes investigativos e tensos com reviravoltas de ultima hora tentando surpreender o público (algo semelhante também acontece aqui). Entretanto, não tem como ficar indiferente ao ponto de vista do roteiro sobre a verdade conceitual da pena de morte, de que maneira real ela serve como combate à criminalidade e a violência.
Para isto a trama coloca um professor de filosofia, David Gale, (Kevin Spacey, muito bem na transição professor respeitável - alcoólatra suspeito de um crime) participante de uma ONG pró-vida, juntamente com sua melhor amiga e vitima de um assassinato (Laura Linney, novamente muito bem em cena). Assim, ocorre uma original situação, uma pessoa completamente contra a pena de morte se vê no corredor da morte, por um crime que se diz inocente.
Criada esta situação, Spacey chama uma jornalista (Kate Winslet, outra boa escolha no elenco) para entrevistá-lo e investigar as reais causas da morte de sua amiga. Está criado o ambiente de conspiração, intrigas políticas e debates incisivos sobre pena de morte e justiça.
Algumas pessoas acusam o filme de ser extremamente manipulativo, o que em parte é verdade, o que interpretei como sendo necessário para a os fatos que o filme que discutir (não posso falar mais nada para não entregar o final). Porém este não abre espaço para as explicações dos defensores deste tipo de justiça, perdendo a oportunidade de criar uma obra mais dimensional.
Claro que A VIDA DE DAVID GALE possui falhas em sua execução, tanto de direção (a seqüência de corrida de Kate para entregar provas no tribunal foi demasiadamente forçada e inverossímil ou ela é o super- herói Flash) quanto de roteiro (como citado no inicio do texto ou na composição de personagens inúteis - o auxiliar de Kate - ou misteriosos - o cowboy da caminhonete).
Mas o efeito principal de A VIDA DE DAVID GALE é refletir no público o senso de justiça (indagando o sentido da pena de morte) e manipulação (até onde utilizá-la justifica comprovar teses), num resultado acima de média mas que peca por ser unidimensional (pessoas a favor da pena são mostradas somente como pessoas más, não indagando os reais motivos desta escolha - falha do roteiro).
A VIDA DE DAVID GALE: 7,5
(The Life of David Gale, EUA, 2003)
Diretor(es): Alan Parker
Roteirista(s): Charles Randolph
Elenco: Kevin Spacey, Kate Winslet, Laura Linney, Gabriel Mann, Matt Craven, Rhona Mitra, Leon Rippy, Jim Beaver. 103 min. UNIVERSAL
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 1:15 AM [+] ::
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:: Fevereiro 14, 2004 ::
Abaixo estão minhas últimas idas ao cinema, nessa semana foram duas (aleluia!!!): LINHA DO TEMPO e TERRA DE SONHOS.
Terra dos Sonhos(CINEMA)
Em tempos pós onze de setembro, o filme que melhor retrata certo amor pelos EUA foi dirigido por um diretor irlandês engajado politicamente, Jim Sheridan (de EM NOME DO PAI e O LUTADOR), e escrito por ele e suas filhas como um roteiro quase autobiográfico com ares de conto de fadas.
Mas esta fábula passa longe das realizadas ultimamente em Hollywood, como ENCONTRO DE AMOR e VOANDO ALTO, principalmente por se tratar de uma história pessoal com peso dramático e situações reais. Iniciando com a imagem de uma bandeira americana (pela primeira vez isso não me incomodou), somos rapidamente apresentados à família (Johnny, Sarah e as crianças Christy e Ariel) que protagoniza a história, tentando passar pela fronteira Canadá-EUA tendo que dar explicações sobre suas intenções na América (bem atual, hein!). Nesta primeira cena já vemos que estes querem reiniciar suas vidas nos EUA em função da perda de um filho, trauma este que os assombra o filme todo.
O que diferencia TERRA DOS SONHOS dos demais dramas que surgem todo ano nos cinemas é a presença de Jim Sheridan na direção e no roteiro contando uma história pessoal (quase que na verdade exorcizando também seus fantasmas). Seu roteiro consegue ser emocionante sem cair na pieguice e na banalidade das situações, isto acontece também porque os atores escolhidos estão perfeitos em cena dando veracidade ao nos emocionar e nos fazer rir.
A começar pelo esquecido do Oscar, Paddy Considine, chefe da família e, com certeza, a pessoa que tem mais dificuldade de lhe dar com a perda do filho, personagem que trabalha com um olhar triste e que mais me emocionou. Já a indicada Samantha Morton (MINORITY REPORT), é a sensibilidade em pessoa, consegue ultrapassar os limites da dor em razão da alegria de suas filhas, uma verdadeira leoa (somente em uma cena, perde a razão em função do trauma, emocionante). Há ainda a presença forte de Djimon Hounsou (GLADIADOR e AMISTAD), como um vizinho misterioso do cortiço.
Entretanto se existe uma razão para assistir o filme (se ainda não estiver convencido) está na presença mágica das irmãs Bolger, como filhas do casal. Enquanto, Christy é a melancolia em pessoa (e pensar que durante o filme ela diz ao pai: eu carrego esta família há um ano nas costas), mostra uma maturidade como narradora sendo nossos olhos no filme, já sua irmã, a espevitada Ariel, possui aquele brilho no olhar de infância e ingenuidade difícil de ver hoje em dia, possui as melhores tiradas do filme (aliás, ditas com a maior maturidade).
É o primeiro filme deste Oscar que consigo ver qualquer pessoa assistindo, não é um épico (O RETORNO DO REI, O ÚLTIMO SAMURAI e MESTRE DOS MARES), nem um filme com temática mais pesada (SOBRE MENINOS E LOBOS e 21 GRAMAS), é somente um relato emocionante em forma de fábula urbana (claro que podemos discutir que haja somente pessoas boazinhas no filme), mas que dificilmente não emocionará alguém.
TERRA DOS SONHOS: 8,5
(In América, Irlanda/ Reino Unido, 2003)
Diretor(es): Jim Sheridan
Roteirista(s): Jim Sheridan, Naomi Sheridan, Kirsten Sheridan
Elenco: Paddy Considine, Samantha Morton, Sarah Bolger, Emma Bolger, Neal Jones, Randall Carlton, Ciaran Cronin, Djimon Hounsou. 103 min. FOX
Linha do Tempo(CINEMA)
Baseado no livro homônimo de Michael Crichton (escritor de JURASSIC PARK), LINHA DO TEMPO é um legitimo exemplar do gênero aventura (com seus prós e contras). Gênero bastante conhecido do sumido diretor Richard Donner (OS GOONIES, SUPERMAN e MÁQUINA MORTÍFERA).
Os prós se encontram no ritmo imposto por Donner desde o inicio da película, LINHA DO TEMPO é uma aventura que ainda possui suspense e romance como ingredientes para sua narrativa. Em entrevistas, Donner comentou que não queria nenhum astro em seu filme para que este não ofuscasse toda produção, à primeira vista, faz sentido pois nenhum personagem em especial (claro que há destaques, mais abaixo comento) recebe muita atenção, deixando a história fluir de maneira ordenada e correta.
Entretanto, isto também ocasionou parte do fracasso do filme nas bilheterias. Não há nenhum grande ator para chamar o público, obviamente, Paul Walker (VELOZES E FURIOSOS) deveria faze-lo mas este não está com esta bola toda. Então, Gerard Butler (TOMB RAIDER II) me surpreendeu e construiu o verdadeiro herói desta aventura, mostrando coragem, amizade e amor pela mocinha.
Quando tive a oportunidade de ler o romance LINHA DO TEMPO (ano passado), pude observar que o mesmo possuía estrutura e contexto cinematográfico, porém, os roteiristas (incluindo o autor Michael Crichton) não souberam aproveitar todas as qualidades do livro nesta adaptação. Faltaram detalhes bastante importantes, como por exemplo, detalhes sobre a empresa patrocinadora ITC no envolvimento de viagens no tempo e melhor visualização histórica (tanto cultural quanto detalhes da Guerra de Cem Anos) da época (neste quesito os vilões, e há vários, vão se somando ao invés de serem melhor explorados).
Mesmo assim, o material filmado por Donner diverti, portanto, indico para quem quiser um simples entretenimento de boa qualidade que não abusa da nossa inteligência, como as últimas películas de aventura e ação (BAD BOYS II e TOMB RAIDER II).
LINHA DO TEMPO: 5,5
(Timeline, EUA, 2003)
Diretor(es): Richard Donner
Roteirista(s): Michael Crichton, Jeff Maguire, George Nolfi
Elenco: Paul Walker, Frances O'Connor, Gerard Butler, Billy Connolly, David Thewlis, Anna Friel, Neal McDonough, Matt Craven. 116 min. UIP
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 11:20 PM [+] ::
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:: Fevereiro 13, 2004 ::
Bad Boys II (DVD & VHS)
Pode até parecer exagero meu, mas eu acho que estamos no final dos tempos (será que não existe nenhuma profecia de Nostradamus sobre isso). Quando um simples filme de ação utiliza corpos de defuntos para serem atropelados e servirem de motivo para piadas além de destruírem uma favela inteira com o carro, considero isto de extremo mau gosto e falta de consideração com o público, os culpados por este absurdo atendem pelos nomes de Michael Bay (diretor ruim responsável por, outros absurdos, como PEARL HARBOR) e o produtor bam-bam-bam Jerry Bruckheimer (produtor de inúmeras bobagens como, SHOWBAR e PEARL HARBOR, mas que de vez em quando acerta como acontecido em PIRATAS DO CARIBE).
Quem estiver lendo pode achar que é perseguição, que eu não gosto de filmes pipocas, entretanto, não tem como não refletir os exageros criados por Bay e sua equipe, as cenas citadas acima são um exemplo disto, o que mais me incomoda é que isto não se faz necessário num filme como este. O primeiro BAD BOY (do longínquo ano de 94) era um filme de ação com mistura de comédia ao melhor estilo MAQUINA MORTIFERA dupla de policiais que se metem em diversas enrascadas, à química entre Will Smith (ALI) e Martin Lawrence (LOUCURAS NA IDADE MÉDIA), os dois desconhecidos nesta época, era muito boa e rendia diversos momentos hilariantes.
Neste segundo episódio, o roteiro deixou a comédia de lado para ter uma trama mais séria (e ao mesmo tempo mais clichê), utilizando o tráfico de drogas como motivo da investigação dos policiais. Quem saiu perdendo nesta mudança de tom foi Will Smith, seu personagem trocou a comédia pelo romance com a irmã de Lawrence, inclusive este se destaca, por ser o possuidor dos melhores diálogos e da melhor cena do filme ao desabafar para Smith em frente a uma câmera numa loja de eletrodomésticos. Outro personagem que também diverte é o chefe dos policias interpretado por Joe Pantoliano (AMNÉSIA).
Sendo assim, um filme que deveria somente entreter (apesar de haver bastante violência para as crianças) erra a mão na direção e na escolha das cenas, ocasionadas pelo exagero, como dito anteriormente, acabando por me incomodar, no mau sentido, além de ser extremamente longo.
BAD BOYS II: 3,0
(Bad Boys II, EUA, 2003)
Diretor(es): Michael Bay
Roteirista(s): George Gallo, Marianne Wibberley, Cormac Wibberley
Elenco: Martin Lawrence, Will Smith, Jordi Mollà, Gabrielle Union, Peter Stormare, Theresa Randle, Joe Pantoliano, Michael Shannon. 147 min. COLUMBIA
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 12:56 AM [+] ::
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:: Fevereiro 10, 2004 ::
O mês de Janeiro apresentou alguns filmes surpreendentes como, SUBMERSOS e TREZE VISÕES, entretanto, algumas pérolas também chegaram as locadoras neste mês, dois exemplos recentemente vistos por mim foram: VOANDO ALTO e CAÇADO.
Caçado (DVD & VHS)
Não sei como um projeto como este conseguiu ser realizado e ver a luz do dia, isto porque é simplesmente um equivoco esta produção dirigida por William Friedkin (OPERAÇÃO FRANÇA e EXORCISTA), diretor de renome que não vem tendo muita sorte ultimamente (REGRA DO JOGO).
Para ter noção do equívoco, CAÇADO possui uma trama extremamente parecida (se não igual) ao eletrizante FUGITIVO (que já foi copiado pela pseudocontinuação U.S. MARSHALL), isto é, temos uma pessoa fugindo, aqui por florestas e pela cidade, de seu mentor por supostamente ter enlouquecido e matado pessoas que caçavam na floresta. Este é o fiapo de roteiro, que ainda não desenvolve seus personagens, principalmente, a dupla central que se tornam antagonistas. O passado em comum dos personagens também não é explorado como poderia ter sido.
Além disso tudo, tem dois atores reconhecidos e oscarizados (Lee Jones por FUGITIVO e Del Toro por TRAFFIC) que não conseguem desenvolver seus personagens ou torná-los atraentes e interessantes (em função do roteiro), nem mesmo a presença de linda Connie Nielsen salva CAÇADO da mesmice e banalidade.
CAÇADO: 2,0
(The Hunted, EUA, 2002)
Diretor(es): William Friedkin
Roteirista(s): David Griffiths, Peter Griffiths, Art Monterastelli
Elenco: Tommy Lee Jones, Benicio Del Toro, Connie Nielsen, Leslie Stefanson, John Finn, José Zúñiga, Ron Canada, Mark Pellegrino. 94 min. BUENA VISTA
Voando Alto (DVD & VHS)
A outra pérola atende pelo título de VOANDO ALTO, uma produção consideravelmente grande, vide o elenco, que supostamente por problemas de bastidores (dizem que miss Paltrow brigou com todo mundo, inclusive o diretor Bruno Barreto) virou um verdadeiro samba do crioulo doido, que não se resolve entre ser um drama romântico ou uma comédia rasgada, e transforma-se numa verdadeira chatice com enredo bobo.
O problema maior de Bruno Barreto neste seu novo projeto internacional (depois do sucesso O QUE É ISSO, COMPANHEIRO) é a inocência e o tom inadequado do roteiro. Eric Wald escreveu um verdadeiro conto de fadas sobre aeromoças mais utilizou diversos tons (entre drama, comédia e romance) para discursar sobre trabalho e amor, sem desenvolver plenamente nenhum deles.
Como dito anteriormente, VOANDO ALTO, conta com um elenco respeitável (à primeira vista) mas que está completamente deslocado, como por exemplo, as participações de Rob Lowe (do seriado WEST WING) e Kelly Preston (esposa de John Travolta), acho que seus papéis ficaram na sala de edição. Além disso, Paltron destoa do tom cômico dos demais personagens, principalmente, de Mike Myers (AUSTIN POWERS, que pelo menos diverte) e Christina Applegate (TUDO PARA FICAR COM ELE).
Sobre Bruno Barreto, aqui, ele não soube encontrar o clima necessário para estabelecer a conexão entre a heroína e o público, não cria simpatia. Apesar de bonita e estabanada (mais uma vez o problema de tom no roteiro), Paltron esta deveras fria e afastada de sua personagem.
VOANDO ALTO: 2,0
(View from the Top, EUA, 2003)
Diretor(es): Bruno Barreto
Roteirista(s): Eric Wald
Elenco: Gwyneth Paltrow, Candice Bergen, Christina Applegate, Marc Blucas, Mark Ruffalo, Kelly Preston, Mike Myers, Rob Lowe. 87 min. IMAGEM FILMES
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 2:34 PM [+] ::
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:: Fevereiro 8, 2004 ::
Violação de Conduta (DVD & VHS)
Uma boa opção para quem curte um suspense baseado em depoimentos, tornando-se um verdadeiro quebra-cabeça para os investigadores (como no clássico RASHOMON, de Kurosawa), pode tentar a sorte em VIOLAÇÃO DE CONDUTA, do diretor John McTiernan.
Obviamente nem tem como compara-lo com a obra de Kurosawa, até porque VIOLAÇÃO DE CONDUTA segue um novo subgênero, que é o suspense-militar, na linha de REGRAS DO JOGO (com Samuel L. Jackson) ou A FILHA DO GENERAL (com John Travolta).
O maior destaque aqui fica pelo reencontro de Jackson e Travolta desde PULP FICTION, entretanto, estes dividem no máximo duas cenas, o que é um desperdício (não por Travolta ,mas por Jackson que, na verdade, aparece muito pouco no filme). Para ajudar nas investigações com Travolta temos a belíssima Connie Nielsen (que está mais bonita em GLADIADOR).
VIOLAÇÃO DE CONDUTA não possui nenhum destaque em especial para seu elenco e, ainda, seu roteiro possui diversos problemas nas inúmeras e incontáveis reviravoltas que vai utilizando para despistar o espectador, que acaba acarretando em problemas de compreensão do resultado final e, claro, um tanto exagerado. Além da construção capenga dos personagens.
Entretanto, John McTiernan acerta na ambientação e na montagem do filme, sempre mantendo a atenção do espectador. O uso da chuva ininterrupta também ajuda na ambientação do clima conspiratório (tipo, não tem para onde fugir com a verdadeira resposta). Assim, consegue-se criar um filme que deve agradar a maioria das pessoas, que adoram sentir-se enganadas e surpreendidas.
VIOLAÇÃO DE CONDUTA: 5,0
(Basic, Canadá, EUA, Alemanha, 2003)
Diretor(es): John McTiernan
Roteirista(s): James Vanderbilt
Elenco: John Travolta, Connie Nielsen, Samuel L. Jackson, Timothy Daly, Giovanni Ribisi, Brian Van Holt, Taye Diggs, Dash Mihok. 98 min. FOX
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 1:05 AM [+] ::
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:: Fevereiro 5, 2004 ::
Mestre dos Mares (CINEMA)
Legitimo filme de homem, até porque as mulheres não estão presentes nem em cinco minutos durante a projeção, MESTRE DOS MARES deve ser assistido como um verdadeiro relato da Marinha Inglesa e, até mesmo, da história inicial do século 19 e da Era Napoleônica.
Podendo ser considerado um filme de diretor, principalmente por contar relatos rotineiros das viagens marítimas, envolvendo o capitão Aubrey (Russell Crowe) e sua tripulação, MESTRE DOS MARES possui uma narrativa episódica (mas sempre com a sombra no navio francês a espreita), Peter Weir (O SHOW DE TRUMAN)trabalhou muito bem todos os aspectos técnicos, visuais e históricos. Por exemplo, me chamou a atenção uma cena inicial onde se jogava areia no chão da sala do médico para não escorrer sangue dos pacientes, ou a cena onde os marinheiros traçavam mercadorias com os índios e representantes portugueses no Brasil, inclusive, falando português de Portugal, uma raridade pois para os americanos nós falamos espanhol.
Entretanto o que mais me agradou foi à presença do ator Paul Bettany (DOGVILLE), como médico naturalista e contraponto cientifico ao obstinado capitão Aubrey. Inclusive, seu personagem possui uma história própria dentro do filme, no que se refere a uma surpreendente visita a Ilhas Galápagos, que para os mais atentos deve lembrar a Teoria de Darwin sobre a evolução, que somente não foi publicada em função das perseguições a embarcação francesa.
Não acho que MESTRE DOS MARES tenha fôlego para o Oscar, mesmo com suas 10 indicações, é um filme bom porque enfoca o relacionamento humano e fatos históricos, no mais, temos somente duas cenas de batalha, o que indica que quem procura um filme de ação passe longe desse.
MESTRE DOS MARES - O LADO MAIS DISTANTE DO MUNDO: 7,0
(Master and Commander: The Far Side of the World, EUA, 2003)
Diretor(es): Peter Weir
Roteirista(s): Patrick O'Brian, Peter Weir, John Collee
Elenco: Russell Crowe, Paul Bettany, James D'Arcy, Edward Woodall, Chris Larkin, Max Pirkis, Jack Randall, Max Benitz. 138 min. BUENA VISTA
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 3:19 PM [+] ::
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:: Fevereiro 1, 2004 ::
Como todo inicio de mês, posto aqui os lançamentos das locadoras para o mês de Fevereiro, já destaco que como em Janeiro, Fevereiro possui mais lançamentos blockbuster e pipocas do que filmes para cinéfilos, ainda bem que neste mês terminam de chegar os principais lançamentos no cinema dos filmes do Oscar.
DISTRIBUIDORA/// LANÇAMENTOS (DATA)
Alpha Filmes: O DONO DA FESTA (10)
Buena Vista: PIRATAS DO CARIBE (18)
Califórnia: AMARELO MANGÁ (10) PROVA DE FOGO (10) SAMSARA (10)
Columbia: BAD BOYS II (04) FORA DO JOGO (04) TRATAMENTO DE CHOQUE (12) RIO SANGRENTO (12) O MEDALHÃO (19)O RETORNO (19)
Europa Filmes: DEIXE-ME VIVER (10) ROTA DA MORTE (10) O DRAGÃO INVENCÍVEL (17) A VOLTA DO GUERREIRO (17) TESTEMUNHAS CONTRA A MÁFIA (17)
FlashStar: HOUSE OF DEAD -O FILME (06) MAY - OBSESSÃO ASSASSINA (06) A LEI DAS RUAS (06)
Fox: LISBELA E O PRISIONEIRO (18) ALIEN - O OITAVO PASSAGEIRO VERSÃO DO DIRETOR (18)
Imagem Filmes: ALEX & EMMA (12)
LK-TEL: CAMPEÃO (19) DEMÔNIO (19)
Moviestar: MAMÃE VIREI UM PEIXE (10)
Paramount: MISTÉRIOS DO PASSADO (17)
PlayArte: DICIONÁRIO DE CAMA (11) CÂMERA DISCRETA (11)
Universal: A VIDA DE DAVID GALE (11) O GUERREIRO DO FUTURO (11) NED KELLY (18) O JOGO DAS SETE MORTES (18) DETONADOR (18)
Warner: DOM (04) TERRITÓRIO SELVAGEM (04) TUDO QUE UMA GAROTA QUER (18) O URSINHO POLAR (18)
OBS: para quem quiser saber detalhes mais específicos sobre estes lançamentos ou futuros lançamentos, questione nestes comentários abaixo.
:: PAULO ROBERTO SELBACH JUNIOR 10:13 PM [+] ::
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